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Entre a saudade e as lembranças, psicóloga orienta como lidar com o luto no Dia de Finados
Foto Divulgação/Gerada com IA
Com a chegada do Dia dos Finados, celebrado em 2 de novembro, a saudade de familiares e amigos que já partiram costuma ficar ainda mais presente. Para muitas pessoas, a data é um momento de recordar histórias, rever fotografias e lembrar daqueles que fizeram parte de suas vidas.
Mas lidar com a perda de alguém que amamos nunca é fácil. Cada pessoa enfrenta o luto de uma maneira diferente, e não existe um tempo certo para superar a dor.
Para falar sobre esse assunto conversamos com a psicóloga Rosane Weber, que explicou como enfrentar a saudade, a importância do apoio familiar e como ajudar as crianças a compreenderem a morte.
Segundo Rosane, a tristeza e a saudade fazem parte do processo de luto e precisam ser respeitadas. “A saudade e a tristeza por aqueles que partiram são eternas. O luto envolve sentimentos múltiplos e pode levar tempos diferentes para ser assimilado”, explicou.
A psicóloga destaca que, que nos primeiros momentos após a perda, a pessoas pode sentir um desespero muito grande, que aos poucos pode diminuir. Porém, isso não significa esquecer quem partiu.
De acordo com ela, não existe uma fórmula pronta para enfrentar o sofrimento. Cada pessoa precisa de seu próprio tempo para compreender a perda e aprender a conviver com a ausência. “Acolher e se permitir sentir a tristeza é uma das formas de lidar com o luto”, ressaltou.
Outro ponto importante é o cuidado com as crianças que também enfrentam a perda de alguém próximo. Muitas vezes, elas têm dúvida sobre a morte e fazem perguntas que nem sempre os adultos sabem responder.
Rosane explica que a compreensão da morte muda conforme a idade da criança. Expressões como “virou estrelinha” ou “foi morar no céu” podem ajudar a abordar o assunto de maneira carinhosa, mas é importante explicar que a pessoa não voltará.
A psicóloga orienta que os adultos conversem com sinceridade, escutem as dúvidas e permitam que a criança fale sobre o que está sentindo. A família também tem um papel importante nesse momento. Falar sobre quem partiu, compartilhar lembranças e mostrar que os adultos também sentem tristeza são maneiras de ajudar as crianças a enfrentar a perda.
Rever fotografias, guardar objetos e recordar momentos felizes também pode trazer conforto para quem sente saudade. Segundo Rosane, essas lembranças ajudam a manter viva a história de quem partiu e fazem parte do processo de compreensão da perda. No caso das crianças, livros e filmes que tratam sobre a morte de maneira sensível também podem ajudar.
A psicóloga chama a atenção para outro cuidado importante: nem sempre quem demonstra estar bem realmente está conseguindo enfrentar o sofrimento. Ela relata uma situação em que atendeu um pai e seus dois filhos, que haviam perdido a mãe de forma trágica. Um dos meninos demonstrava a tristeza por meio de desenhos, enquanto o outro não falava sobre a mãe.
Conforme Rosane, a criança que desenhava estava encontrando uma maneira de expressar seus sentimentos, enquanto o irmão estava reprimindo a dor e precisava de ajuda para lidar com a perda.
Por isso, é importante observar as mudanças de comportamento, principalmente quando a tristeza se prolonga e a pessoa encontra dificuldades para retomar sua rotina. Nesses casos, buscar acompanhamento psicológico pode ajudar a compreender e expressar os sentimentos.
Com a proximidade do Dia de Finados, Rosane também deixa uma orientação para as famílias que sentem ainda mais a ausência de alguém querido nessa época do ano. “É necessário que a família se una, busque apoio um no outro, e sempre que alguém quiser falar do seu sentimento escutar, falar e recordar momentos com a pessoa que se foi”, orientou.
Para a psicóloga, rever fotografias, compartilhar histórias e permitir-se sentir tristeza fazem parte desse momento. A dor da perda não desaparece de uma hora para outra. Com o passar do tempo, ela pode dar espaço às lembranças e à saudade, que continuam fazendo parte da vida de quem ficou.
Neste Dia de Finados, mais do que recordar a ausência, a data também pode ser uma oportunidade de lembrar com carinho dos momentos vividos ao lado de quem já partiu.