SAÚDE

Fé, força e superação: após perder a mãe, Gilmara enfrenta câncer de mama e encontra apoio na família e na Liga

Foto Divulgação/Arquivo Pessoal

 

Receber o diagnóstico de câncer de mama é um momento difícil na vida de qualquer mulher. Para Gilmara Oliveira, a notícia chegou em um período ainda mais delicado. Apenas uma semana antes, ela havia perdido a mãe. Em meio ao luto e ao medo da doença, encontrou na fé, na família e no apoio da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Carazinho a força necessária para enfrentar o tratamento.

 

Ao relembrar o momento em que recebeu o diagnóstico, Gilmara conta que a primeira sensação foi de que sua vida havia acabado. Os pensamentos se voltaram imediatamente para o marido, os filhos e tudo aquilo que ainda desejava viver. “Receber um diagnóstico de câncer é muito duro sabe? Passa um filme na tua cabeça, da tua vida, envolvendo teus filhos, o teu marido, porque a primeira sensação que vem na tua cabeça é que a vida acabou pra ti”, relatou.

 

Além de lidar com a notícia da doença, Gilmara ainda enfrentava a dor de ter perdido a mãe. Segundo ela, foram dois momentos difíceis que aconteceram praticamente ao mesmo tempo. “Nesse meio tempo que eu recebi a notícia do câncer de mama fazia uma semana que a minha mãe tinha falecido. Então as duas coisas que tu não quer pra tua vida é uma doença e a morte, né? E eu vivi as duas ao mesmo tempo”, contou.

 

Mesmo diante de tantas dificuldades, ela afirma que a fé foi fundamental para continuar. Gilmara acredita que foi por meio de Deus que encontrou forças para enfrentar o tratamento e viver o luto pela mãe.

 

Durante o tratamento, passou por quatro sessões de quimioterapia vermelha e quatro quimioterapia branca. Além dos efeitos físicos, precisou enfrentar mudanças na aparência, como a perda dos cabelos, cílios e sobrancelhas. Ela lembra que um dos momentos mais difíceis foi perceber os cabelos caindo enquanto se penteava. “Quando você vai pentear o teu cabelo e ele sai todo na escova, é assim impactante”, relembrou.

 

Com o passar do tempo, Gilmara conta que começou enxergar a situação de outra maneira e percebeu que sua vida e quem ela era tinham muito mais valor do que a aparência. “Cabelo não é tudo. O que importa é o que você tem no teu coração. O que importa é o que você é, a pessoa que você é”, destacou.

 

No dia 17 de dezembro de 2025, Gilmara passou por uma cirurgia em Passo Fundo, realizada pelo médico Guerreiro. Ela foi submetida a uma mastectomia bilateral, com a retirada das duas mamas, e conseguiu realizar a reconstrução com próteses no mesmo procedimento.

 

A cirurgia durou aproximadamente seis horas e meia, e conforme seu relato, ocorreu tudo bem. Antes do tratamento, o tumor tinha aproximadamente o tamanho de um ovo pequeno. Após as sessões de quimioterapia, havia diminuído para um tamanho semelhante ao de um grão de arroz.

 

Segundo Gilmara, após a cirurgia, o médico informou que ela não precisaria passar por radioterapia, notícia que recebeu com muita alegria. “Para mim foi uma bênção, né? Mas assim, uma felicidade enorme em saber que o Senhor usou um médico tão bom, que fez um trabalho maravilhoso e que não vou precisar de fazer radioterapia. Então já é uma vitória”, afirmou.

 

Durante toda essa caminhada, o apoio da família foi essencial. Gilmara conta que recebeu muito carinho do marido e dos filhos, que estiveram ao seu lado nos momentos mais difíceis.

 

Um dos exemplos foi o filho Cristóvão, que havia perdido o emprego naquele período e passou a cuidar das tarefas da casa enquanto ela se recuperava. Era ele quem preparava as refeições, fazia a limpeza e ajudava no que fosse necessário.

 

Já a filha Lavínia, de apenas 12 anos, assumiu uma função muito especial durante a recuperação da mãe. “A minha filhinha, a Lavínia, que tem 12 anos, ela era, minha enfermeira. Ela me dava banho, trocava meus curativos, escovava meus dentes, arrumava meu sutiã, às vezes segurava o baldinho para eu vomitar”, contou.

 

Gilmara também relembra que a família enfrentou dificuldades para conseguir o dinheiro necessário para pagar a cirurgia. Segundo ela, inicialmente não tinham nem a metade do valor, mas conseguiram reunir os recursos e realizar o procedimento. “Aos olhos humanos, o dinheiro que nós pagamos da cirurgia, nós não tínhamos nem a metade para pagar. Mas assim, ó, o Senhor foi tão bom, foi tão bom, que a gente conseguiu pagar toda a cirurgia, graças a Deus”, relatou.

 

Além do apoio familiar, Gilmara fez questão de destacar a importância da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Carazinho. Antes do diagnóstico, ela já conhecia a entidade e colaborava com algumas campanhas, mas foi ao enfrentar a doença que passou a entender ainda mais a importância do trabalho realizado pelas voluntárias.

 

Ela conta que encontrou acolhimento, incentivo e conforto entre as integrantes da Liga, que também fizeram parte da sua caminhada. “E no que depender de mim, a minha ajuda vai ter sempre, porque é assim um grupo que apoia muito as pessoas, dão muito incentivo, são assim maravilhosas”, destacou.

 

Hoje, ao olhar para tudo o que viveu, Gilmara afirma que a doença mudou sua maneira de enxergar a vida. Para ela, passar por um tratamento contra o câncer faz com que as pessoas aprendam a valorizar ainda mais os pequenos momentos e a presença de quem está ao seu lado. “Você entra de um jeito, mas você sai de outro. E assim, ó, bem melhor do que a primeira versão. Porque tu valorizas as pequenas coisas. Você passa a enxergar coisas pequenininhas com outros olhos. Você valoriza mais as pessoas”, afirmou.

 

Para as mulheres que estão enfrentando o câncer, Gilmara deixa uma mensagem de força e esperança. Ela ressalta que sentir medo, chorar e ficar triste são reações naturais diante de um diagnóstico, mas reforça a importância de seguir o tratamento indicado pelos médicos e buscar apoio durante esse período. “Mas eu chorei um dia só e eu disse: Agora deu. Eu já chorei tudo que eu tinha para chorar e daqui pra frente nós vamos fazer o tratamento bem direitinho, como o médico nos instruiu e erguer a cabeça”, contou.

 

A fé continua sendo uma parte importante da vida de Gilmara, que hoje agradece por cada dia e por tudo o que conseguiu superar. “Cada dia que você acorda, você olha pra fora e diz: Obrigada, Senhor, porque eu tô aqui. Muitas pessoas não estão mais, eu tô aqui, isso é graça”, salientou. 

 

A história de Gilmara mostra a importância do apoio familiar, do acolhimento e do acompanhamento médico durante o tratamento contra o câncer de mama. Seu depoimento também reforça que nenhuma mulher precisa enfrentar esse momento sozinha e que buscar ajuda pode fazer a diferença ao longo da caminhada.

Suporte das amigas foi fundamental para superar a doença

Data: 23/10/2026 - 08:00

Fonte: Iana Moura

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