EDUCAÇÃO

A menina que admirava a professora hoje compartilha com ela os desafios da educação

Foto Iana Moura/O Correspondente

 

O que começou dentro de uma sala de aula, há alguns anos, se transformou em uma história de carinho, admiração e amor pela educação. Em homenagem ao Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a trajetória de Camila da Rosa Schenkel e de sua antiga professora, Viviane Chaves, mostra como os ensinamentos e as lembranças da infância podem permanecer por toda a vida. Elas trabalham juntas na Escola Municipal de Ensino Fundamental Dr Piero Sassi, no Bairro Conceição, em Carazinho. Viviane é diretora e Camila orientadora.

 

Camila, de 38 anos, atua há 15 anos em sala de aula e conta que sempre teve uma ligação especial com a escola. Ao recordar o tempo em que foi aluna de Viviane, lembra com carinho da relação que mantinha com a professora. “Eu era a tagarela da sala de aula. Então eu ficava sempre na frente da professora para eu ficar quieta. Mas eu me sentava de joelho, porque era pequena, era menorzinha, e eu ficava conversando com ela, conversando com a professora”,conta.

 

A admiração pela professora também contribuiu para que Camila escolhesse seguir a mesma profissão. “Também teve influência. Bastante, porque eu a adorava. Eu a achava maravilhosa. Eu era encantada nela. Era fã”, recorda.

 

Além de Viviane, outra grande influência foi a mãe de Camila, que também é professora. Desde pequena, ela conviveu com o ambiente escolar e não imaginava seguir a profissão. “Eu não conheço outro mundo fora da sala de aula. A minha mãe é profe, então eu cresci brincando nos corredores das escolas, inclusive nessa (Piero Sassi). Os meus passeios noturnos eram brincar na escola quando minha mãe tinha planejamento, recorda. “Eu sempre me vi professora, eu não via outra escolha na vida”, completa.

 

Viviane, por sua vez, possui 31 anos de experiência na educação e assumiu a direção da escola no ano passado. Ao falar sobre sua trajetória, destaca que sempre procurou manter uma relação próxima com os estudantes. “Eu percebo que o que mais marca é que quando a gente acolhe, quando a gente trata, a gente é diferente, sabe? Eles conseguem se aproximar da gente”, constata.

 

Ao recordar Camila como aluna, Viviane guarda lembranças de uma menina muito querida. Sobre a possibilidade de ter influenciado a escolha profissional da ex-aluna, Viviane acredita que os professores acabam deixando ensinamentos que acompanham as crianças ao longo da vida. “Eu acredito que, claro, vai semeando assim”, reflete.

 

Hoje, ao acompanhar Camila trabalhando na mesma profissão, Viviane destaca o sentimento de felicidade e realização. “Eu acredito que a gente vai semeando. É uma alegria ver uma ex-aluna trabalhando comigo, aprendendo e fazendo as coisas de maneira diferente. A gente se sente realizado”, orgulha-se. 

 

Ao serem questionadas sobre como gostariam que os professores fossem vistos e reconhecidos pela sociedade, as duas educadoras também refletiram sobre a valorização da profissão.

 

Camila destacou a importância do respeito, da responsabilidade e do reconhecimento do trabalho dos profissionais de modo geral, não apenas dos servidores públicos. Para ela, a valorização precisa fazer parte da maneira como a sociedade enxerga aqueles que desempenham suas funções diariamente.

 

Já Viviane sublinhou a importância de os próprios alunos reconhecerem o valor de ser professor, mesmo diante das influências da televisão, da internet e das mudanças da sociedade.

 

A história de Camila e Viviane mostra que a educação vai muito além dos conteúdos ensinados em sala de aula. O carinho, a admiração e os exemplos deixados pelos professores podem acompanhar os alunos por toda a vida.

 

Neste Dia do Professor, a trajetória das duas educadoras representa uma dessas histórias em que a relação entre professora e aluna ultrapassou os anos escolares e se transformou em uma convivência entre colegas de profissão, que hoje compartilham o mesmo propósito de ensinar e contribuir para a formação de novas gerações.

Data: 15/10/2026 - 11:19

Fonte: Iana Moura

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