SAÚDE
Setembro Amarelo reforça importância da prevenção e do cuidado com a saúde mental em Carazinho
Foto Divulgação
Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Amarelo chama a atenção para a prevenção ao suicídio e para a importância do cuidado com a saúde mental. Em Carazinho, o trabalho desenvolvido pelo CAPS acontece durante o ano, com ações de acolhimento, acompanhamento e orientação á população.
De acordo com a coordenadora municipal de Saúde Mental, Ana Paula Marmitt, o CAPS realiza cerca de 600 atendimentos por mês, entre consultas médicas, acolhimentos, atendimentos psicológicos e grupos terapêuticos. O público atendido é formado principalmente por pessoas com sofrimento psíquico e emocional de moderado a grave e também por casos de dependência química.
Entre as situações mais frequentes estão os processos depressivos e a dependência química. Ana explica que a prevenção ao suicídio não fica restrita ao mês de setembro.
Durante todo o ano, a equipe atua na identificação precoce de situações de sofrimento e risco, com acolhimento, escuta qualificada, avaliação, acompanhamento dos usuários, atendimentos individuais e em grupo, atividades terapêuticas, orientação às famílias e articulação com outros serviços da Rede de Atenção Psicossocial.
Nos casos de maior vulnerabilidade, o acompanhamento é mais próximo e podem ser definidos encaminhamentos para outros serviços de saúde. Em situações de crise, a orientação é buscar um ponto de atendimento, como UPA ou serviço hospitalar, para avaliação e continuidade do cuidado.
Para João Ervite, agente de Saúde Mental do CAPS Adulto, alguns sinais precisam ser observados com atenção, como tristeza excessiva, isolamento, falas frequentes de desesperança ou desejo de sumir, falta de interesse pelo próprio bem-estar, mudanças repentinas de comportamento e queda no desempenho das atividades.
Ele também reforça que familiares e amigos podem ter um papel importante. A aproximação, a escuta e o acolhimento sem julgamento podem ajudar quem está enfrentando um momento difícil. Perguntar se a pessoa precisa de ajuda e demonstrar disponibilidade pode abrir espaço para que ela consiga falar sobre o que está sentindo.
No caso de crianças e adolescentes, a enfermeira responsável técnica do CAPS Infantil, Silvana kemmerich, chama a atenção para mudanças de comportamento, isolamento social, irritabilidade incomum, choro sem motivo aparente, perda do interesse em atividades antes prazerosas, baixo rendimento escolar e mudanças no autocuidado.
Segundo ela, os pais também precisam observar alterações na rotina, como tristeza persistente, desânimo para sair do quarto ou dificuldade para realizar atividades básicas do dia a dia.
Silvana destaca ainda que bullying e redes sociais podem ter impacto importante na saúde mental dos jovens. A comparação social, a exposição constante e situações de exclusão podem intensificar quadros de sofrimento emocional.
Por isso, a orientação é que pais e responsáveis acompanhem mais de perto a rotina dos filhos, participem da vida escolar, conversem sobre o dia a dia e estejam atentos ao que as crianças e adolescentes acessam nas redes sociais.
A coordenadora Ana Paula Marmitt reforça que o objetivo do Setembro Amarelo é reduzir o estigma, incentivar as pessoas a falarem sobre o sofrimento e facilitar o acesso á ajuda.
Em Carazinho, estão previstas ações de conscientização durante o mês. No dia 10 de setembro, haverá uma abordagem com panfletagem na praça central. Também está prevista a divulgação de um podcast no site da Prefeitura, além de palestras em escolas e empresas, conforme definição das datas.
Sobre o número de suicídios registrados em Carazinho em 2026, a coordenação informou que ainda não possui o levantamento exato deste ano. Mais do que uma campanha de setembro, o trabalho busca reforçar durante todo o ano a importância do acolhimento, da escuta, do cuidado e da valorização da vida.