POLÍTICA

Mulher, solteira, entre 44 a 49 anos com Ensino Médio Completo: esse é o retrato do(a) eleitor(a) carazinhense em 2026

Foto Divulgação

 

Sem dúvidas, o eleitorado brasileiro é extremamente heterogêneo. Porém se fossemos traçar um perfil levando em conta a média do eleitorado carazinhense em 2026, seguiria em grande parte a média do eleitorado do resto do país. Se fosse uma só pessoa, seria uma mulher (54% dos 45.782 eleitores no município); solteira (55%), entre 44 a 49 anos e com Ensino Médio Completo. O candidato que souber conversar com esse perfil sairá na frente...

 

Menos eleitores

O que Carazinho não segue a média nacional é quanto a evolução no número de eleitores. Aqui, ao invés de aumentar, houve uma redução de 1.144 eleitores de 2022 para 2026, o equivalente a 3%. Também diminuiu o número de eleitores jovens, de 16 e 17 anos, que se cadastraram para votar em outubro. Enquanto em 2022, foram 410, neste ano serão apenas 312, um fenômeno que se repetiu em todo o país. A boa notícia é que de 2022, nas últimas eleições gerais, para 2026 houve também uma redução no número de eleitores analfabetos, de 771 para 652, apesar que se tratando de analfabetismo, esse número ainda é inaceitável...

 

Perfil dos candidatos

Em contrapartida, se fossemos traçar um perfil dos candidatos locais, ele seria homem (quatro dos seis candidatos), com ensino superior completo. Apenas Adriano Strack, do Podemos, possui ensino superior incompleto e Gian Pedroso, do PSD, que tem ensino médio incompleto... Sim, você leu certo, caro leitor: o nome do ex-vereador e ex-quase-secretário Gian Pedroso consta na lista de candidaturas do TSE, disputando uma vaga na Assembleia Legislativa pelo mesmo partido do amigo fiel do prefeito João Pedro, Mateus Wesp. Com a candidatura de Gian, são três candidatos à deputado estadual representando a Situação em Carazinho...e um de Passo Fundo...

A propósito I: segundo o presidente do PSD em Carazinho, Lucas Lopes, foi o bom desempenho de Gian nas últimas eleições, quando fez mais de 5mil votos, que levou o diretório estadual insistir na sua candidatura...

 

Patrimônio

Ainda sobre o perfil dos candidatos, ao contrário da maioria dos políticos que conseguem fazer crescer exponencialmente o patrimônio ao se dedicarem à vida pública, alguns candidatos de Carazinho declararam bens sensivelmente inferiores à última eleição que concorreram, caso dos candidatos do Republicanos Ronaldo Nogueira e Valéska Walber. Porém, a maioria contabilizou aumento no patrimônio. Para Adriano Strack, por exemplo, parece que ficar fora da política por dois anos fez bem ao seu patrimônio. Enquanto em 2024, quando concorreu à vereador, declarou não possuir bens, agora declarou um patrimônio de R$426 mil. Gian Pedroso também viu crescer seu patrimônio de R$84 mil em 2022 para R$117mil em 2026, mesmo caso da vereadora Juliani Pinzon, que passou de um patrimônio de R$340mil em 2024 para R$556mil este ano e de Bruno Berté, que declarou R$179 mil em bens em 2024 e agora declarou R$469mil. 

Sem bloco na rua

Não se sabe bem se por estratégia política ou pela simples falta de recursos, mas a verdade é que a campanha oficial começou muito tímida em Carazinho, com quase nenhuma propaganda pelas ruas da cidade. Para quem não tem redes sociais, parece que não estamos em plena campanha, a pouco mais de um mês das eleições. Provavelmente os candidatos ainda não botaram o bloco na rua porque ainda não há bloco, ou seja, o dinheiro dos partidos ainda não caiu na conta e tudo continua só na promessa...

 

Gastos

Mas quem estiver em “alta conta” com os caciques partidários, que são quem decide o destino do fundo eleitoral, tem muita gordura para queimar. O máximo estipulado de gastos para as campanhas à deputado estadual é R$1.270.629,00. Já para deputado federal, é R$3.176.572,00. É muito dinheiro para gastar em 45 dias. O problema, porém, é esse dinheiro chegar...

 

Adoçaram o café...

Verdade que mudar de ideia faz parte da vida e da política, mas causou estranhamento a defesa do vereador Tenente Costa (MDB) à renovação do contrato do município com a Aegea-Corsan. No pronunciamento, lembrou que apenas 11 municípios ainda não assinaram o aditivo e que “o prefeito precisa rever esta questão”...Logo ele que foi um dos vereadores que mais criticou os serviços da empresa em Carazinho e cobrou pela “postura passiva” do prefeito junto à direção. Pois agora, depois de visitar a empresa na semana passada, ele criticou a falta de diálogo do prefeito com a Aegea. No mínimo, devem ter servido um cafezinho bem doce e saboroso para o vereador durante a sua visita...

A propósito II: além do cafezinho doce, outro aspecto que pode ter influenciado para o vereador suavizar seu discurso contra a Aegea é o fato de todos os deputados do seu partido – que agora tentam se reeleger – terem votado à favor da privatização da empresa, inclusive o agora candidato a governador, Gabriel Souza.

 

Narrativa perigosa

Quem também achou muito estranha a mudança de posição de Tenente Costa em relação à Corsan foi o vereador Alaor Tomaz (PDT), que como líder de governo, lembrou Costa dos reais motivos para o prefeito João Pedro não assinar o aditivo do contrato. Aliás, Alaor foi extremamente corajoso ao não seguir a narrativa demagógica da oposição de que os recursos previstos para divulgação em 2027 irão fazer falta na saúde.

 

Desrespeito

Tal narrativa “esquece” de citar que o valor não é apenas para os veículos de comunicação, mas também para a divulgação de eventos que fazem circular a economia de Carazinho. Esquecem também que esses veículos pagam imposto e geram empregos. Aliás, o próprio tenente Costa que está repetindo esse discurso deu uma demorada entrevista no final de semana a um desses veículos, que segundo ele, “não servem para nada”...É muito desrespeito a um setor importante da economia do município!

 

E a transparência?

É incrível que em nome de impedir que a atual gestão preste contas à população, esses vereadores impeçam a transparência que tanto defendem! Além disso, em tempos de tanta desinformação, é no mínimo perigosa a tentativa de fragilizar a imprensa, lembrando que a informação é um direito constitucional garantido à toda população.

A propósito III: chega a ser contraditório a oposição afirmar que nem a Câmara nem a Prefeitura precisam da imprensa tradicional, “porque existem as redes sociais”, quando a maioria destes vereadores já foram vítimas de um perfil falso que espalhava “fake news” pela cidade. Vale lembrar que tem CNPJ não faz isso...

 

Desabafo

“Vão ter que me matar para tirar o meu mandato”...A frase é do vereador Everton Huning (PP), que aproveitou o seu tempo na tribuna para fazer um forte desabafo, com direito até a choro...O vereador se referia à denúncia anônima que foi feita ao MP de que ele estaria cometendo o crime de rachadinha com os seus assessores. No discurso, Huning afirmou que sabe quem fez a denúncia “caluniosa”, se referindo a “maus perdedores que nem mesmo com o partido na mão e muito dinheiro não conseguiu nem mesmo eleger o filho”.

 

Alvo

...Não é preciso investigar muito para saber que o alvo está dentro de seu partido, que declarou guerra contra o vereador pelo fato dele estar votando com o governo, o que, aliás, explica o esforço pela cassação do mandato. No final, o vereador deixou um recado: “quem planta vento, colhe tempestade”...E deve vir mesmo...(investigações em curso...)

 

Podemos I

É claro que não existe mais nenhum clima para Huning permanecer no PP. Por outro lado é zero a chance dele mudar de sigla agora, já que certamente perderia o mandato. Porém, na primeira abertura de janela partidária, antes da próxima eleição municipal, o vereador já tem endereço definido: o Podemos. Inclusive, Huning será um dos cabos eleitorais do deputado Mauricio Dziedricki no munícípio, candidato assessorado pela ex-primeira-dama, Paula Santos, e que também contará com o apoio do ex-secretário Anselmo Britzke.

 

Podemos II

Com mais de um pé já dentro do partido, Huning se mostra otimista quanto ao crescimento do Podemos em Carazinho, com uma grande nominata de candidatos à vereador em 2028 e possibilidade até de fazer parte da majoritária...Será que está falando dele ou do atual candidato à deputado estadual pelo partido, Adriano Strack?

 

Logo Carazinho...

Ainda falando em eleições, estratégias políticas nem sempre são fáceis de entender...Um exemplo é a decisão do MDB ter escolhido Carazinho para fazer o lançamento no interior do Estado da candidatura de Gabriel Souza à governador. Logo Carazinho, onde o diretório municipal optou por não lançar nenhuma candidatura local e onde nas últimas eleições, algumas lideranças praticamente abriram voto à favor do candidato Ônix Lorenzoni, do PP...

 

Empenho pessoal

... Além da chance de terem escolhido Carazinho pelo fato de ser um entroncamento rodoviário, já que várias caravanas da região participaram do ato, outra explicação pode ser o prestígio de Márcio Biolchi junto ao diretório estadual. O deputado está fortemente empenhado em eleger a sua assessora Cris Lohman à Assembleia e, para isso, aposta em seu capital eleitoral no município.

 

De olho em 2028

Como uma eleição é termômetro para a próxima, o desempenho dos candidatos do MDB no município, em especial, Cris Lohman e Alceu Moreira, serão determinantes para futuras alianças. Isso vale também para os candidatos aliados à gestão...O desempenho de Valéska, Ronaldo, Berté e Gian nas urnas será uma espécie de pesquisa para medir a aprovação do governo chegando à metade do mandato. Por essas e outras, o prefeito deveria se preocupar mais em garantir que “seus candidatos” se saiam bem na foto. Por mais que tentem que se descolar, a ligação é inevitável...

 

Sem defesa

Na última coluna, já comentei que a atual gestão é muito boa em produzir munição para a oposição. A última foi um projeto enviado para a Câmara desobrigando a instalação de elevadores em edificações com dois pisos, quando o atendimento ao público é feito no térreo. É claro que não faltaram acusações ao Executivo de retrocesso total em matéria de acessibilidade, inclusive quanto à possibilidade de contratação de trabalhadores com mobilidade reduzida nesses estabelecimentos. Diante da polêmica, os vereadores da Situação não tiveram argumentos e o vereador Alaor Tomaz pediu a retirada do projeto. Mas poderiam ter se poupado de mais essa...