GERAL
Carazinho registra média de dois casos de violência contra a mulher por dia
Foto Mara Steffens/O Correspondente
A programação do Agosto Lilás realizou ontem (19), diferentes ações de conscientização e orientação a comunidade em Carazinho. As atividades foram realizadas na Praça Albino Hillebrand, reunindo serviços e representantes da rede de proteção ás mulheres.
Entre as participantes esteve a delegada Heládia Cazarotto, titular da Delegacia de Polícia de Proteção aos Grupos Vulneráveis (DPGV) de Carazinho. Ela destacou que o município segue registrando números que preocupam.
Segundo a delegada a média é de dois registros de violência contra a mulher por dia na delegacia. Heládia explicou que a programação teve como objetivo mostrar para as mulheres como funciona a rede de proteção, onde procurar ajuda e quais serviços estão disponíveis no município.
Ela reforçou que muitas mulheres ainda têm medo de procurar a Polícia Civil, principalmente pelo receio de que a violência continue ou aumente. Nestes casos, o trabalho em rede acaba sendo fundamental. A Polícia Civil pode atuar através do registro da ocorrência e do pedido de medidas protetivas. Além disso, serviços como o CRAM trabalham no acolhimento e no fortalecimento das mulheres.
Entre os crimes mais registrados estão ameaça, vias de fato, lesão corporal, perseguição e violência psicológica. Conforme Heládia, a violência psicológica acaba estando presente em muitas situações, inclusive antes de outros tipos de agressão.
Promotora reforça importância da denúncia e do acolhimento
O ônibus do Ministério Público do Rio Grande do Sul também esteve presente na programação realizada ontem na Praça Albino Hillebrand. Durante a ação, a promotora de Justiça Ana Maria Dal Moro Maito, que atua na comarca de Carazinho, falou sobre a importância do Agosto Lilás e da conscientização permanente sobre a violência contra a mulher.
Segundo a promotora, apesar de todo o trabalho realizado nos últimos anos, os casos seguem preocupando. Ela explicou que o aumento nos registros também está ligado ao maior acesso das mulheres a informação. Com isso, muitas vítimas passaram a reconhecer como violência situações que antes acabavam sendo normalizadas.
Ana Maria destacou ainda que a violência não começa apenas com uma agressão física. Ameaças, violência psicológica, injúrias, crimes contra a honra e violência patrimonial também fazem parte desse ciclo. A promotora é titular da Segunda Promotoria de Justiça Criminal de Carazinho, responsável pelos processos de violência doméstica da comarca.
Entre os casos que mais chegam à Promotoria estão lesão corporal, principalmente lesões leves, ameaças e descumprimento de medidas protetivas. Ana Maria reforçou que Carazinho possui uma rede preparada para atender essas mulheres, envolvendo serviços de assistência, atendimento especializado, Delegacia de Polícia e a própria Promotoria de Justiça.
A orientação das duas profissionais é a mesma: que as mulheres procurem ajuda e não permaneçam sozinhas em uma situação de violência. “Que elas acreditem no nosso trabalho, que nós estamos aqui para ajudá-las, que a vida pode ser muito melhor quando a violência não existe”, destacou a promotora.