SAÚDE

Agosto Branco reforça importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de pulmão

Foto Iana Moura/O Correspondente

 

O câncer de pulmão foi tema do espaço da Liga Feminina de Combate ao Câncer no Correspondente. Em alusão ao Agosto Branco, mês de conscientização sobre a doença, a pneumologista Bruna de Medeiros Largura falou sobre os principais fatores de risco, a importância do diagnóstico precoce e também fez um alerta sobre o uso do cigarro eletrônico.

 

Segundo ela, o câncer de pulmão é bastante comum entre homens e mulheres e está entre os que mais causam mortes. “Apesar de não ser o câncer mais comum, ele é o que mais mata. Muitas vezes ele é descoberto já em uma fase avançada, e isso acaba aumentando muito a mortalidade”, explicou.

 

O cigarro ainda é o principal fator de risco. Conforme a médica, cerca de 85% dos casos estão ligados diretamente ao tabagismo. Além de quem fuma, o fumante passivo também pode ter o risco aumentado. A poluição ambiental e algumas exposições no trabalho, como o contato com amianto, também podem contribuir. 

 

Bruna destacou ainda que existe um rastreamento específico para pessoas com maior histórico de tabagismo. A indicação é principalmente para quem tem mais de 50 anos, fuma ou parou de fumar há menos de 15 anos e possui uma carga maior de exposição ao cigarro.

 

Nesses casos, o exame indicado é a tomografia de tórax de baixa dose, feita uma vez ao ano. “O raio-X não consegue mostrar nódulos pequenos. A tomografia consegue identificar essas alterações mais cedo e, quando o câncer é descoberto no início, a chance de tratamento curativo é muito maior”, ressaltou.

 

O tratamento vai depender de cada caso, do tipo de tumor e do estágio da doença. Quando o câncer está localizado, a cirurgia pode ser uma das opções e, dependendo da situação, pode ser necessário também quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. 

 

A médica lembrou que os tratamentos para o câncer de pulmão evoluíram bastante nos últimos anos, principalmente com novos medicamentos e a imunoterapia. Mesmo assim, o diagnóstico precoce continua sendo fundamental.

 

Cigarro eletrônico também preocupa

Durante a entrevista, Bruna também falou sobre o cigarro eletrônico, que vem sendo bastante utilizado principalmente por jovens e adolescentes. Segundo ela, ainda não existem dados suficientes para saber exatamente qual será o impacto do uso desses dispositivos em relação ao câncer daqui a alguns anos. Porém, já se sabe que eles podem causar lesões importantes nos pulmões. “Já existem casos de pacientes com lesões pulmonares graves, que acabam precisando de internação, oxigênio e até UTI”, contou.

 

A pneumologista também alertou para a nicotina presente nesses produtos, que pode causar forte dependência. “O cigarro eletrônico surgiu inicialmente como uma tentativa de ajudar quem queria parar de fumar, mas acabou acontecendo o contrário. Muitos jovens que nunca fumaram estão começando pelo cigarro eletrônico. O que era para ser uma saída acabou virando uma porta de entrada”, afirmou.

 

Ela reforçou que existem outras formas seguras de tratamento para quem quer deixar o cigarro, como adesivos, gomas de nicotina e medicamentos, sempre com acompanhamento profissional.

 

Liga recebe novos apoios

Além da conscientização sobre o câncer de pulmão, as voluntárias da Liga, Sandra Guazzeli e Susanita Gibbon, também falaram sobre os projetos que estão sendo realizados e os novos apoios recebidos pela entidade. 

Um deles é o Homens na Cozinha, que novamente recebeu um projeto encaminhado pela Liga e irá analisar a proposta. A expectativa é de que os recursos possam contribuir com o atendimento aos pacientes assistidos.

 

Outro apoio veio do Stok Center, por meio do Troco Solidário. Durante um ano, os clientes poderão escolher doar o troco das compras para a Liga. Segundo a presidente Sandra, mesmo valores pequenos fazem diferença quando são somados. “Esses troquinhos parecem pouco, mas no final se tornam uma quantia bem importante para nós”, destacou.

 

A Liga também será beneficiada neste ano com o valor arrecadado no leilão de uma obra de arte realizado durante a Seara. Além disso, a entidade está conversando com o Lions Glória para desenvolver uma campanha voltada aos pacientes, com possibilidade de arrecadação de itens como produtos de higiene, toalhas e lençóis.

 

A vice-presidente Susi reforçou que o trabalho da Liga só é possível graças ao apoio da comunidade. “A Liga existe porque a comunidade de Carazinho está sempre nos ajudando. E quanto mais apoio a gente recebe, mais conseguimos ajudar os nossos assistidos”, afirmou.

 

Muitos dos pacientes atendidos pela Liga também vivem em situação de vulnerabilidade social e recebem auxílio com medicamentos, cestas básicas e outras necessidades durante o tratamento. 

Data: 14/08/2026 - 10:21

Fonte: Iana Moura

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