ESPORTES
Desportistas analisam eliminação do Brasil e apontam falhas dentro e fora de campo
Fotos Divulgação
A eliminação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo deixou um sentimento de frustração entre os torcedores e amantes do futebol. Em comum, as análises apontam que o resultado não pode ser atribuído apenas ao desempenho dentro de campo, mas também a problemas estruturais vividos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a falta de continuidade no trabalho da comissão técnica.
Para o jogador do Sercesa, Ismar Varella, todo brasileiro sonha em ver a Seleção conquistar mais um título mundial, mas o ciclo até a Copa foi marcado por instabilidade. Segundo ele, as constantes trocas de treinador e a indefinição da CBF prejudicaram a preparação da equipe.
Apesar de reconhecer a qualidade do técnico Carlo Ancelotti, Ismar ressalta que o treinador teve pouco tempo para implantar sua filosofia de trabalho. Na avaliação dele, o Brasil criou oportunidades suficientes para vencer a Noruega, mas desperdiçou chances importantes, incluindo um pênalti que poderia ter mudado a história da partida. “O Brasil teve oportunidades claras, mas não foi eficiente. Em Copa do Mundo passa quem erra menos. Pecamos nas finalizações e também na marcação, que foi muito frouxa”, analisou.
Mesmo lamentando a eliminação, Ismar acredita que a França chega como principal favorita ao título, embora sua torcida passe a ser por Portugal, por admirar a trajetória de Cristiano Ronaldo.
Quem também relaciona o desempenho da Seleção aos bastidores é o desportista e professor Juliano Nemecek, o Jundiá. Para ele, a crise institucional da CBF acabou refletindo diretamente dentro das quatro linhas.
Segundo Juliano, a troca de presidentes, as mudanças no comando técnico e a falta de identidade da equipe comprometeram o rendimento brasileiro. Ele destaca ainda que o trabalho de Ancelotti precisa de tempo para amadurecer. “Uma coisa é trabalhar diariamente em um clube, outra é reunir os jogadores poucos dias antes de cada jogo. Não existe fórmula mágica. É preciso continuidade para implantar um modelo de jogo”, afirmou.
Na opinião do professor, diante do cenário apresentado pela Seleção, chegar entre as oito melhores equipes do Mundial já seria um resultado positivo. Assim como Ismar, ele vê a França como a principal candidata ao título, destacando a força coletiva da equipe francesa, enquanto aponta a Espanha como uma seleção jovem e promissora para o próximo ciclo de Copa do Mundo.
Já o desportista Gilberto Kamphorst também avalia que a eliminação é consequência de um processo de instabilidade vivido pelo futebol brasileiro. Em sua análise, a falta de planejamento, as frequentes mudanças de comando e a ausência de um projeto consistente enfraqueceram a Seleção ao longo dos últimos anos.
Gilberto destaca ainda que o futebol mundial evoluiu e que o Brasil precisa recuperar sua identidade dentro de campo, aliando organização tática ao talento tradicional dos jogadores brasileiros.
O treinador João Mecias torcia pelo Brasil, embora projetasse que a Seleção não resistiria à Noruega. Ele analisa que Neymar foi convocado de forma aceritva, mas a lesão não permitiu que ele pudesse ser melhor aproveitado no mundial. Mecias não vislumbra outras grandes elencos para representar o Brasil nos próximos três ciclos. Para ele, o sistema político na CBF também precisa ser revisto.
França, Argentina e Espanha são as seleções com mais chances de conquistar o Mundial, na visão de Mecias.
Apesar da decepção com a queda precoce, os três entrevistados concordam que a Seleção possui jogadores de qualidade e que o momento exige planejamento, estabilidade e tempo de trabalho para voltar a disputar títulos de forma consistente nas próximas competições.