GERAL

A espectativa do comércio com as festas de final de ano

Foto Divulgação

 

O final do ano é tradicionalmente um período marcado por intensa movimentação no comércio. As festas natalinas, o pagamento do décimo terceiro salário e as celebrações de Ano-Novo impulsionam um crescimento expressivo nas vendas em praticamente todos os setores da economia. Esse fenômeno, é resultado de fatores econômicos, culturais e psicológicos que, somados, criam um ambiente propício para o consumo. Compreender esse aumento no comércio exige uma análise que envolva tanto o comportamento do consumidor quanto as estratégias empresariais e os indicadores econômicos que caracterizam essa época.

 

O aumento do consumo no comércio no final do ano pode ser definido como a elevação sazonal das compras realizadas por consumidores e empresas, e deve movimentar motivada por datas comemorativas e por uma maior disponibilidade de renda. Essa elevação ocorre, em grande parte, em função do Natal, considerado a data mais importante do calendário comercial, e do Ano-Novo, que estimula gastos relacionados a viagens, festas e renovação de bens pessoais e domésticos. Trata-se, portanto, de um fenômeno sazonal e previsível, que faz parte do planejamento estratégico de lojistas e indústrias, os quais ajustam estoques, preços e campanhas publicitárias para atender à demanda crescente.

 

O comércio, pela sua parte, prepara-se para atender a demanda com espectativa e o consumidor espera as ofertas. Entre os principais fatores que explicam estão a disponibilidade de recursos financeiros e o espírito de celebração coletiva que marca o período.


O recurso financeiro é estimulado principalmente pelo pagamento do décimo terceiro salário, instituído no Brasil em 1962, um dos motores mais importantes desse aquecimento. Ele injeta bilhões de reais na economia, possibilitando que consumidores quitem dívidas, façam compras e invistam em lazer. Segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o valor total do décimo terceiro salário deve injetar mais de R$ 290 bilhões na economia brasileira em 2025, beneficiando cerca de 85 milhões de pessoas. Esse acréscimo temporário eleva significativamente o poder de compra da população, refletindo diretamente nas vendas do comércio varejista e online.

 

Outro fator importante é o aspecto emocional e cultural envolvido nas festas de fim de ano. No O Natal, por exemplo, está fortemente associado à troca de presentes e à confraternização entre amigos e familiares. Esse simbolismo gera um comportamento de consumo impulsivo e, muitas vezes, emocional. As campanhas publicitárias exploram esse sentimento de afeto e generosidade, estimulando a compra como forma de demonstrar carinho. Além disso, há um impulso de renovação pessoal e doméstica que acompanha a virada do ano — muitas pessoas aproveitam o período para trocar eletrodomésticos, roupas, móveis e até veículos, movimentando ainda mais a economia.

 

O avanço do comércio eletrônico nos últimos anos também transformou o perfil de consumo nesse período. As promoções da Black Friday, que ocorre no fim de novembro, passaram a funcionar como uma espécie de “porta de entrada” para as compras de Natal. Em 2024, por exemplo, dados da Neotrust mostraram que o e-commerce brasileiro faturou mais de R$ 7,5 bilhões durante a Black Friday, representando um crescimento de 8% em relação ao ano anterior. Esse comportamento demonstra que o consumidor está cada vez mais planejando suas compras com antecedência e aproveitando os descontos online para garantir presentes e produtos para as festas.

 

O comércio físico, por sua vez, também se beneficia. Shoppings e lojas de rua registram aumento significativo no fluxo de pessoas, estimulados por decorações temáticas, eventos natalinos e campanhas de desconto. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estima que as vendas do varejo brasileiro cresçam cerca de 5,6% no último bimestre de 2025 em comparação ao mesmo período de 2024. Setores como vestuário, brinquedos, cosméticos, eletrodomésticos e alimentos natalinos tendem a ser os mais beneficiados. O segmento de supermercados e bebidas, impulsionado pelas ceias e confraternizações, também costuma apresentar um dos maiores volumes de vendas do ano.

 

Entretanto, esse aumento no consumo também levanta debates sobre endividamento e sustentabilidade financeira. Muitas famílias extrapolam seus orçamentos em função das compras impulsivas e acabam iniciando o ano seguinte com dívidas acumuladas. Segundo levantamento recente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), cerca de 40% dos consumidores brasileiros afirmaram que pretendem usar o cartão de crédito para as compras de Natal, e mais da metade admitiu preocupação com a possibilidade de endividamento. Isso evidencia que, embora o período seja positivo para o comércio, é necessário conscientizar o consumidor sobre o consumo responsável.

 

Em síntese, o aumento do consumo no comércio no final do ano é um fenômeno multifacetado, que reflete tanto o dinamismo econômico quanto os valores culturais da sociedade. Ele impulsiona o crescimento do varejo, gera empregos temporários e movimenta diversos setores da economia. Ao mesmo tempo, revela desafios relacionados à gestão financeira pessoal e à sustentabilidade do consumo. Com a consolidação do comércio eletrônico e a antecipação das promoções, o comportamento do consumidor vem se transformando, tornando esse período ainda mais estratégico para as empresas. Assim, compreender as causas e as consequências desse aumento de consumo é essencial para planejar políticas econômicas, campanhas de marketing e estratégias de educação financeira que garantam um crescimento equilibrado e consciente.

 

Contudo, essa época renova esperança aos que vendem e alegria para os que podem contar com um momento prazeroso de comprar.

 

Sejamos conscientes para que esse momento deixe bons resultados para todos, cuidando para não extrapolar nas compras além do que podemos pagar e o comércio estudar todos os dados para não ter sobra de estoque que pode gerar prejuízo.

 

Bons negócios para todos e desenvolvimento é o que mais se deseja!