CULTURA
"Não é preciso ser escritor para descobrir o valor da escrita", diz Júlia Dantas durante palestra em Carazinho
Foto Iana Moura/O Correspondente
A Feira do Livro de Carazinho ainda não começou oficialmente, mas as atividades de pré-feira já estão acontecendo no município. Na quinta-feira (22), o Sesc recebeu a escritora Júlia Dantas, que conversou com o público sobre o processo criativo e a importância da escrita no dia a dia.
Júlia explicou que a proposta da atividade foi aproximar as pessoas da escrita, principalmente aquelas que têm vontade de escrever, mas acreditam que isso não é para elas. “Hoje eu vou falar de processo criativo, vou falar de como eu acho que a escrita é algo que pode beneficiar todo mundo, não só quem sonha com publicar, quem sonha com ser autor, mas todo mundo no seu dia a dia acho que pode se beneficiar de ter um exercício de escrita”, destacou.
Segundo a escritora, não é necessário ter um talento especial ou esperar pela inspiração para começar a escrever. Assim como acontece com outras atividades, a escrita também pode ser aprendida e desenvolvida com prática e estudo. Júlia comparou o processo com alguém que deseja aprender a tocar piano, explicando que ninguém começa sabendo tudo e que é com o tempo que a pessoa desenvolve suas habilidades. “A gente começa e não sai do jeito que a gente quer, mas a gente desenvolve, a gente prática, estuda e querendo a gente aprende”, afirmou.
A escritora também apresentou seus quatro romances: Ruína e Leveza, A Mulher e os Dois Esqueletos, Ela se Chama Rodolfo e Pássaros de Cidade. Segundo ela, todos são livros de ficção e possuem alguma relação com viagens ou deslocamentos, temas que despertam seu interesse. Além dessas obras, ela também realizou outros trabalhos ligados à literatura, como organização de livros e produções por encomenda.
Para quem tem vontade de escrever, mas não sabe por onde começar, a principal dica da escritora é dar o primeiro passo, sem esperar estar totalmente preparado. “A minha dica às vezes decepciona um pouco as pessoas, mas ela é: comece a escrever. E é depois de começar que a gente entende como funciona”, afirmou.
Júlia explicou que muitas pessoas acabam adiando esse começo por acreditarem que precisam primeiro ler grandes clássicos da literatura ou estudar durante muito tempo. Para ela, o caminho pode ser justamente o contrário. Primeiro, a pessoa começa a escrever e, aos poucos, descobre quais conhecimentos e leituras podem ajudar a melhorar sua escrita. A autora também destacou a importância de ler livros que realmente despertem o interesse de cada um.
Ela citou como exemplo alguém que deseja escrever a biografia da avó, mas que, durante o processo, pode descobrir outras maneiras de contar aquela história, inclusive misturando fatos reais com ficção. “Então é só fazendo que a gente entende pra onde a gente tá indo, não é”, explicou.
A participação de Júlia Dantas integra a programação de pré-feira da segunda edição da Feira do Livro de Carazinho, que será realizada de 6 a 13 de novembro. O evento busca incentivar a leitura, valorizar a literatura e aproximar a comunidade do universo dos livros.