GERAL
Duas perspectivas sobre a mesma mudança: o que pensam representantes de trabalhadores e empresários de Carazinho sobre fim da escala 6x1
Foto Arquivo/O Correspondente
O fim da escala de trabalho 6x1, em que o trabalhador atua seis dias e tem apenas um de folga, foi oficializado nesta sexta-feira (16), após o Congresso Nacional promulgar a Emenda Constitucional nº 141/2026. A mudança garante dois dias de descanso por semana e a redução gradual da jornada de trabalho, sem diminuição dos salários, para 40h semanais.
A proposta havia sido aprovada pelo Senado Federal na quarta-feira (14), com 75 votos favoráveis e apenas um contrário, nos dois turnos de votação. Com a promulgação, a mudança passa a fazer parte da Constituição Federal.
De acordo com informações da Agência Senado e da Agência Brasil, as novas regras começarão a valer no dia 15 de dezembro de 2026. A partir dessa data, os trabalhadores terão direito a dois dias de descanso por semana, e a jornada máxima será reduzida de 44 para 42 horas semanais.
A redução continuará de forma gradual e, em dezembro de 2027, a jornada máxima passará para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Representantes de entidades avaliam
Em Carazinho, a mudança gera diferentes opiniões entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial. Enquanto o Sindicato dos Metalúrgicos destaca os benefícios para a qualidade de vida dos trabalhadores, a Associação Comercial e Industrial de Carazinho (ACIC) demonstra preocupação com os possíveis impactos para as empresas.
O representante do Sindicato dos Metalúrgicos, Paulo Silva, afirma que a entidade é totalmente favorável ao fim da escala 6x1, principalmente pela necessidade de garantir mais tempo de descanso e convivência com a família. "O sindicato é totalmente a favor da mudança de escala, o trabalhador precisa ter seu momento de descanso e lazer com a sua família. A produtividade acredito que fique até melhor pois ele estará mais descansado", avaliou.
Segundo Paulo, uma das principais dificuldades enfrentadas por quem trabalha seis dias por semana é a falta de tempo para descansar. Muitas vezes, a única folga acaba sendo utilizada para cuidar da casa ou resolver compromissos pessoais.
Com dois dias de descanso, ele acredita que o trabalhador poderá organizar melhor suas atividades e aproveitar mais o tempo com a família, além de retornar ao trabalho mais motivado.
Sobre a possibilidade de demissões ou aumento da cobrança sobre os funcionários, Paulo acredita que a mudança não deverá trazer grandes dificuldades para as empresas que conseguirem se organizar.
Ele explica que muitas indústrias representadas pelo sindicato já trabalham de segunda a sexta-feira, compensando os minutos durante a semana. Nesses casos, a principal mudança será a redução do tempo diário de trabalho.
Para o representante sindical, a implantação gradual é uma boa alternativa, pois permite que trabalhadores e empresas tenham tempo para se adaptar à nova realidade.
Mudança precisa considerar realidade de cada setor
Já o presidente da Associação Comercial e Industrial de Carazinho (ACIC), Josué de Oliveira Prestes, demonstra preocupação com a mudança da escala 6x1 para 5x2. Segundo ele, a redução da jornada, sem considerar a realidade de cada setor, pode aumentar os custos das empresas, elevar os preços dos produtos e prejudicar a economia.
Josué destaca que a entidade não é contrária à qualidade de vida dos trabalhadores, mas acredita que a discussão também precisa envolver melhores salários, qualificação profissional e produtividade. "Não somos contrários à qualidade de vida do trabalhador. Pelo contrário, queremos trabalhadores mais valorizados, mais qualificados e, principalmente, com melhores salários", afirmou.
O presidente ressalta que setores como comércio, indústria, construção civil e saúde possuem necessidades diferentes e que essas particularidades precisam ser consideradas na aplicação das mudanças.
Ele também defende uma discussão sobre os impostos, os custos para manter um funcionário e quanto do salário realmente chega ao bolso do trabalhador. "O verdadeiro avanço social não está apenas em trabalhar menos. Está em produzir melhor, ganhar mais e aumentar o poder de compra", destacou.
Josué defende ainda que empresas e trabalhadores tenham liberdade para negociar suas jornadas, respeitando os direitos trabalhistas. Para ele, também é necessário avançar em questões como produtividade, qualificação profissional e geração de empregos.