EDUCAÇÃO

Mesmo diante dos desafios, jovens ainda escolhem a carreira de professor

Lindinalva (Fotos Divulgação

 

Em meio às discussões sobre a falta de interesse dos jovens pelos cursos de licenciatura e a necessidade de valorização da educação, duas professoras de Carazinho compartilham suas experiências e os motivos que as levaram a escolher a profissão.

 

O Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, é uma data de reconhecimento aos profissionais responsáveis pela formação de crianças e jovens. Mas também é um momento para refletir sobre os desafios enfrentados pela categoria e sobre o que leva novas gerações a seguirem a carreira docente, mesmo diante das dificuldades.

 

Em Carazinho, a professora Lindinalva de S. Ludwig da Motta, de 39 anos, e a Maria Paula de Souza Nunes, de 21 anos, mostram que, apesar das diferentes experiências, compartilham a mesma motivação: a vontade de transformar vidas por meio da educação.

 

Para Lindinalva, que atua nas redes municipal e estadual de ensino de Carazinho, ser professora sempre foi um sonho de infância. Desde pequena, nas brincadeiras, imaginava-se ensinando e compartilhando conhecimentos.

 

A escolha pela profissão também teve influência de duas educadoras que marcaram sua trajetória escolar: Andreia Galvagni e Solange Locatelli. Anos depois, ambas se tornaram suas colegas de trabalho, sendo que Andreia continua trabalhando com ela. "Para mim, ser professora sempre foi a realização de um sonho de criança, pois acredito que a educação tem o poder de transformar vidas", destacou.

 

Lindinalva conta que nunca teve dúvidas sobre a escolha profissional. Segundo ela, apesar das dificuldades enfrentadas no início da carreira, os estágios acadêmicos reforçaram ainda mais sua decisão.

 

Entre os principais desafios, a professora lembra que precisou desenvolver confiança em sala de aula e aprender com os próprios erros e acertos. Atualmente, destaca a necessidade de trabalhar com diferentes perfis de estudantes, tornar as aulas acessíveis e interessantes, além de conciliar a jornada semanal de 40 horas com o planejamento das atividades e as avaliações. A falta de acompanhamento familiar também aparece entre as dificuldades apontadas pela educadora.

 

Já para Maria Paula de Souza Nunes, de 21 anos, que está iniciando sua trajetória na educação, a escolha pela profissão surgiu da vontade de contribuir para o desenvolvimento das crianças. "Decidi seguir essa profissão porque acredito que a educação pode transformar vidas e quero fazer parte disso, mesmo sendo com pequenas atitudes", afirmou.

 

Diferentemente de Lindinalva, Maria Paula admite que teve dúvidassobre seguir na área da educação, principalmente pela responsabilidade que a profissão exige. No entanto, o contato com as crianças ajudou a confirmar sua escolha.

 

"Em muitos momentos tive dúvidas, é uma grande responsabilidade, mas com as experiências com as crianças tive certeza que estou no caminho certo, em uma área que gosto e me faz feliz", contou.

 

Entre os desafios que já percebe no início da carreira, Maria Paula destaca a necessidade de ganhar experiência e confiança para lidar com as diferentes situações que surgem no dia a dia. Segundo ela, nem sempre é possível saber como agir, mas a prática tem contribuído para que se sinta cada vez mais preparada. 

 

Na relação com os alunos, a jovem professora espera construir um ambiente de carinho, respeito e acolhimento, onde possa ensinar, mas também aprender com as crianças.

 

Apesar das diferentes trajetórias, as duas professoras concordam que a valorização profissional é fundamental para despertar o interesse de mais jovens pela docência.

 

Para Lindinalva, a educação ainda não recebe o reconhecimento que merece, considerando sua importância na formação de profissionais de todas as áreas. "Precisamos melhorar as condições de trabalho, salários adequados e justos à nossa jornada", ressaltou.

 

Maria Paula também acredita que o reconhecimento da profissão pode incentivar novas gerações a seguirem esse caminho. Além disso, considera importante mostrar que, apesar dos desafios, ser professor proporciona experiências gratificantes. "Na minha opinião, para mais jovens terem interesse em ser professores, a profissão precisa ser mais valorizada e reconhecida", afirmou.

 

Mesmo diante das dificuldades, as duas educadoras encontram na convivência com os alunos a principal motivação para permanecer na profissão. 

 

Para Lindinalva, a oportunidade de contribuir diariamente para a formação das crianças e dos estudantes é o que torna o trabalho significativo. "Apesar de todos os obstáculos e desafios, penso que vale a pena continuar nesta profissão, pois tenho diariamente a oportunidade de fazer a diferença na vida das crianças e dos estudantes que tenho em sala de aula", destacou.

 

Ela também acredita que o trabalho dos professores contribui para a formação de cidadãos mais críticos, reflexivos e atuantes na sociedade.

 

Maria Paula, por sua vez, encontra motivação no carinho recebido das crianças e na possibilidade de acompanhar cada pequena conquista durante o aprendizado. "Mesmo sendo iniciante, já consigo perceber que vale a pena seguir nessa profissão pelo carinho das crianças e pela oportunidade de acompanhar cada pequena conquista delas", relatou.

 

Para ela, embora ainda tenha muito a aprender e saiba que encontrará dificuldades pelo caminho, participar do desenvolvimento de uma criança é uma experiência que faz todo o esforço valer a pena. 

 

As histórias de Lindinalva e Maria Paula mostram que, mesmo em diferentes momentos da carreira, o desejo de ensinar e fazer a diferença na vida dos alunos permanece como uma das principais razões para escolher a educação. Ao mesmo tempo, os depoimentos reforçam a importância de melhores condições de trabalho e de maior reconhecimento para que mais jovens se sintam motivados a seguir a profissão.

Maria Paula 

Data: 15/10/2026 - 17:08

Fonte: Iana Moura

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