GERAL
CAS TEAcolhe utiliza impressão 3D para estimular criatividade e preparar jovens para o mercado de trabalho
Foto Divulgação
A tecnologia está abrindo novas possibilidades de aprendizagem e desenvolvimento profissional para adolescentes e jovens atendidos pelo CAS TEAcolhe, em Carazinho. Com recursos provenientes do Homens na Cozinha, realizado recentemente pela Câmara de Dirigentes Lojistas - CDL, o serviço adquiriu uma impressora 3D e materiais necessários para desenvolver oficinas que estimulam a criatividade, a autonomia e habilidades relacionadas à inserção no mercado de trabalho.
A iniciativa atende, inicialmente, seis participantes, com idades entre 14 e 23 anos. Conforme a coordenadora do CAS TEAcolhe, Lisandra Sandri, a proposta vai além do aprendizado sobre o funcionamento do equipamento. O objetivo é proporcionar experiências que contribuam para o desenvolvimento pessoal, a compreensão de processos produtivos e a preparação para futuras oportunidades profissionais.
Segundo Lisandra, a escolha da faixa etária está relacionada ao momento em que os jovens começam a desenvolver interesses profissionais e a considerar possibilidades de ingresso no mercado de trabalho. A participação é destinada aos usuários do serviço que demonstrarem interesse pela atividade, podendo também contemplar pessoas de outras idades.
Durante as oficinas, os participantes acompanham as diferentes etapas da impressão 3D, desde a escolha e a criação dos objetos até os processos de montagem, acabamento e pintura. Também recebem orientações sobre o funcionamento da impressora, o tempo necessário para produzir cada peça e a quantidade de material utilizada. “Além da criação, vamos trabalhar os custos, os benefícios, como se faz o levantamento do tempo de impressão e quanto de filamento é necessário. Tudo isso faz parte da formação que queremos proporcionar”, explica Lisandra.
A proposta também considera os interesses individuais dos participantes. Inicialmente, foram produzidos brinquedos sensoriais e objetos que podem ser utilizados em atividades de interação. Nas próximas etapas, os jovens poderão escolher peças relacionadas aos seus gostos pessoais, incluindo personagens, filmes e outros elementos presentes em seu cotidiano.
De acordo com a coordenadora, essa possibilidade de escolha é importante para estimular o envolvimento dos participantes e desenvolver a compreensão sobre planejamento e organização. Ao solicitar a produção de determinado objeto, por exemplo, o jovem também aprende que o processo exige tempo, recursos e diferentes etapas até a conclusão. “Eles querem produzir aquilo que faz parte dos seus interesses. Então, mostramos quanto custa, quanto tempo leva e se é possível concluir durante a oficina ou se será necessário esperar. Isso também é um aprendizado”, observa.
Parceria possibilita a realização das oficinas
Além dos recursos destinados à aquisição da impressora e dos filamentos, o projeto conta com a participação voluntária de Rafael Banhara, que trabalha com impressão 3D e é responsável por orientar os jovens durante as atividades.
Conforme Lisandra, a parceria surgiu a partir de conversas sobre a escolha do equipamento e as possibilidades de utilização da tecnologia. A experiência de Rafael na área contribuiu para a definição dos materiais e para a organização das oficinas.
A coordenadora destaca que a participação de parceiros é fundamental para ampliar as atividades oferecidas pelo serviço, especialmente em iniciativas voltadas à capacitação e ao desenvolvimento de habilidades.
A intenção é que, futuramente, algumas das peças produzidas possam ser comercializadas, permitindo que os recursos obtidos sejam utilizados na compra de novos filamentos e outros materiais. Dessa forma, o projeto poderá desenvolver uma alternativa para contribuir com a continuidade das oficinas.
Desenvolvimento de habilidades e oportunidades profissionais
Embora o aprendizado da impressão 3D seja o ponto de partida, Lisandra ressalta que a iniciativa também trabalha aspectos relacionados à responsabilidade, à organização e ao cuidado com os materiais.
Os participantes recebem orientações sobre o uso adequado dos equipamentos, a necessidade de evitar desperdícios e a importância de compreender os custos envolvidos na produção. São conhecimentos que, segundo a coordenadora, podem contribuir para a formação dos jovens independentemente da atividade profissional que venham a exercer. “Não significa que todos vão trabalhar com impressão 3D ou com produtos personalizados. Queremos que tenham essa noção de profissionalização, de responsabilidade e de cuidado com aquilo que utilizam”, afirma.
Lisandra também identifica potencialidades individuais que podem ser desenvolvidas por meio da tecnologia. Ela cita o exemplo de um participante que demonstra habilidade criativa e que poderá encontrar na impressão 3D uma possibilidade de atuação profissional, mesmo enfrentando dificuldades em outras áreas da aprendizagem.
A coordenadora considera que o domínio de comandos específicos, aliado à criatividade e à prática, pode abrir caminhos para o desenvolvimento de atividades produtivas adaptadas às habilidades de cada participante.
Outro aspecto destacado é a preparação para situações que fazem parte do ambiente profissional. O cumprimento de etapas, a organização dos materiais, a espera pelo resultado e a responsabilidade sobre os recursos disponíveis são trabalhados ao longo das oficinas.
Segundo Lisandra, essas experiências são importantes porque nem sempre as empresas dispõem de tempo e estrutura para desenvolver determinadas habilidades durante o processo de inserção profissional.
Com a nova atividade, o CAS TEAcolhe busca ampliar as oportunidades de aprendizagem dos jovens atendidos, utilizando a tecnologia como ferramenta para estimular potencialidades individuais e desenvolver conhecimentos que poderão ser aplicados em diferentes situações da vida cotidiana e profissional.
.