POLÍTICA

Carazinho fica sem representação na Assembleia e no Congresso: de quem é a culpa?

Foto Divulgação

 

A resposta para essa pergunta passa por muitos fatores, e talvez, não possamos falar de culpa, mas de responsabilidades...Entre todos os fatores, a menor responsabilidade, certamente, é dos eleitores carazinhenses e a maior, sem dúvida, é dos partidos e dos políticos carazinhenses. A grande migração de votos pode ser explicada facilmente pelo fato de grande parte das lideranças políticas do município terem optado por apoiar candidatos de fora. Além disso, nenhum partido de Carazinho começou a trabalhar um nome com o tempo e o esforço necessários para efetivamente construir uma candidatura viável.

 

Faltou apoio

A única exceção foi Ronaldo Nogueira, que já vinha se apresentando como candidato desde 2022, quando ficou na suplência. Bruno Berté, apesar de ter sido um dos primeiros a confirmar sua candidatura pelo PDT, não recebeu apoio integral do partido, aliás, nem mesmo de seu companheiro de bancada na Câmara, o vereador Alaor Tomás. O mesmo aconteceu com Juliani Pinzon e Valéska Walber, que apesar de terem recebido apoio dos diretórios estaduais, em nível local, fizeram campanhas quase que solitárias. Já Adriano Strack também confirmou o seu nome faltando pouco mais de um mês para as eleições...

 

Esperança

Com a desistência de Márcio Biolchi de concorrer à reeleição, sabia-se que a transferência de votos não seria automática para Ronaldo Nogueira ou para Juliani Pinzon, que concorriam à federal. Porém, essa transferência poderia ter sido mais bem trabalhada pela sociedade civil organizada, que agora, sem dúvidas, sofrerá os prejuízos da falta de representação em Brasília...A não ser, é claro, que um dos deputados federais eleitos pelo Republicanos seja chamado para o secretariado de Zuco. Neste caso, Ronaldo pode assumir, a exemplo do que já aconteceu nesta legislatura que está encerrando.

Capilarização

Com o terreno livre para forasteiros, o resultado foi que dos cinco candidatos mais votados para federal em Carazinho, três são de fora: Giovani Cherini, do PL, com 3.421 votos, Maurício Marcon, PL, com 2.291 votos e Rony Gabriel, do Podemos, com 2.198 votos. Mas, além deles, mais seis candidatos de outros municípios fizeram mais de 500 votos no município, entre eles, Luciano Azevedo, do PSD, que fez 879 votos...Talvez essa seja a eleição de maior capilarização de votos em Carazinho na história recente...Os votos dos carazinhenses se dividiram entre dezenas e dezenas de nomes que não se sabe quando nem como conquistaram a confiança desses eleitores...Seria pelas redes sociais?

 

Soma

Resumindo, os cinco candidatos juntos somaram pouco mais de 22 mil votos entre mais de 46.600 eleitores, o que significa que mais da metade dos votos dos carazinhenses migrou para candidaturas de fora, ou ainda foram brancos ou nulos. Verdade que 9.600 optaram por simplesmente não votar, porém, à exceção da parcela que não vota porque realmente está incapacitado, quem se omite também faz uma escolha...

 

Quem ganhou

Entre ganhadores e perdedores desta disputa, podemos afirmar que Adriano Strack, apesar de não ter se elegido, sai maior do que entrou...Praticamente no ostracismo da política, ele fez mais votos do que havia feito em 2022, tanto no Estado como no município, o que, claro, se explica em grande parte pelo trabalho social que realiza no esporte. Outro vencedor, mesmo que não eleito, foi Ronaldo Nogueira, que em 2022 fez 37.932 votos e agora fez mais de 51 mil votos. Só em Carazinho, sua votação foi de 1.409 votos em 2022 para mais de 5 mil votos, o que prova, que em parte, a transferência funcionou, mesmo que em um índice muito baixo, já que Márcio Biolchi fez quase 14 mil votos em Carazinho em 2022...

 

Termômetro

Também não se pode dizer que Bruno Berté fez feio com seus mais de 7.600 votos. Apesar de afirmar que esta eleição não serviu de teste, é claro que serve de termômetro...Tanto o nome dele como de Juliani Pinzon e Adriano Strack passam a ser fortes possibilidade para 2028 para situação ou oposição. No caso de Juliani e Bruno, passam a figurar como fortes candidatáveis para vice do prefeito João Pedro Albuquerque...

 

Mobilização

E já que estamos falando em responsabilidades, talvez também tenha faltado uma mobilização da sociedade civil organizada pelo voto local, a exemplo do que foi feito em muitos municípios da região. Talvez também a opção do prefeito João Pedro de apoiar todos os candidatos aliados e ainda dividir o seu apoio com um candidato de Passo Fundo tenha contribuído para diminuir o estímulo ao voto local, assim como a opção do ex-prefeito Milton Schmitz de apoiar Cris Lohman, que é a “Cris do Márcio” mas não é o Márcio e não é de Carazinho, mesmo que ela tenha sido muito importante em muitos pleitos locais. Ela fez 2.130 votos no município e acabou ficando como suplente do partido na Assembleia, que, aliás, registrou uma das maiores renovações na história recente do Estado.

A propósito: o candidato Mateus Wesp, que recebeu apoio do prefeito, fez 394 votos em Carazinho e acabou perdendo a cadeira para outro candidato do PSD em Passo Fundo: o vereador Gio Krug. Com isso, Passo Fundo conseguiu eleger um deputado estadual depois de 20 anos...

 

Majoritárias

O MDB de Carazinho, apesar de ter conseguido eleger um dos nomes que declarou apoio oficial, - Alceu Moreira para federal -  o candidato do partido, Gabriel Souza, atual vice de Eduardo Leite, fez míseros 1.610 votos no município, verdade que é o dobro de Marcelo Maranata, do PSDB, partido do prefeito João Pedro...Vale lembrar que em 2022, Eduardo Leite fez mais de 10.200 votos no primeiro turno em Carazinho. Seguindo com os comparativos, em 2022, Jair Bolsonaro fez mais de 19 mil votos no primeiro turno no município, correspondendo a 52%. Neste domingo, Flávio Bolsonaro somou mais de 21.800 votos, o equivalente a 62%. Já a votação de Lula em Carazinho baixou de 14.472 votos em 2022 para 10.704 em 2026.

 

Cobrança

O que resta agora para Carazinho, além de torcer para que Ronaldo consiga assumir como suplente, é cobrar muito destes deputados eleitos que receberam os votos dos carazinhenses. Isso vale também para o governador eleito, Luciano Zucco, que na terra do Brizola derrotou a sua neta, fazendo quase 64% dos votos, e para os senadores eleitos, Sanderson e Van Hattem, que juntos fizeram mais de 40 mil votos no município. E Carazinho tem muito o que cobrar...Então anote aí: federais eleitos Maurício Marcon, Giovani Cherini, do PL e Rony Gabriel, do Podemos e os estaduais Adriana Cherini, PDT, professor Cláudio Branchieri, PL e Miguel Rosseto, do PT. São esses nomes que irão assumir em janeiro de 2027 e que possuem um compromisso com os eleitores de Carazinho que os ajudaram a se eleger...

 

 

 

Data: 05/10/2026 - 07:22

Fonte: Nadja Hartmann

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