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Depoimento de mulher atendida pelo CRAM reforça importância do serviço como referência no acolhimento às vítimas de violência em Carazinho

Foto Divulgação/Gerada com auxilio de IA

 

Foram mais de 15 anos em um relacionamento abusivo. A personagem desta história, que terá sua identidade preservada, sofreu violência psicológica, patrimonial, sexual e física. Moradora de Carazinho, a mulher contou com a ajuda da rede de apoio para deixar o casamento e reconstruir a própria vida. A gota d'água, e que fez com ela decidisse que era hora de encerrar aquele ciclo foi quando foi agredida e trancada no quarto pelo ex-marido. "Decidi sair quando a família dele me atacou, e ele, mesmo vendo que eles estavam errados, apoiou os pais dele. O Boletim de Ocorrência, com pedido de medida protetiva, registrei nove meses após a separação, após uma escalada da violência", recorda.

 

A partir do comunicado na polícia, e com medida protetiva vigente, a mulher foi chamada pelo Centro de Referência no Atendimento à Mulher - CRAM e passou a ser acompanhada pela rede de apoio. "Lá tenho atendimento psicológico, mas sei que para quem precisa, também tem o auxílio social, com recolocação no mercado de trabalho, passagem para voltar para família, retirada do lar em caso de agressão. O CRAM foi o órgão que me acolheu. Elas sempre estão atentas as nossas necessidades, procuram nos auxiliar dentro das possibilidades delas, com os serviços ofertados, com o acolhimento, com a preocupação e cuidado em cada caso. É um serviço pouco conhecido na cidade, eu mesma não sabia que existia, mas de fundamental importância as pessoas que sofrem violência doméstica", relata.

 

Diante do que passou, nossa entrevistada para esta matéria ressalta que é preciso coragem para denunciar e procurar ajuda. "No primeiro sinal, no primeiro grito, na primeira vez que ele ameaçar. Jamais acredite que ele irá mudar, porque ele não vai. A chance maior é de ele piorar, não melhorar. Eu tentei igrejas, procurei ajuda psicológica, mudança no meu comportamento, tentei acreditar que ele realmente estava certo quando batia nos filhos e dizia q era para educar... Eu tentei me adaptar ao que ele desejava, por fim, nada deu certo porque quem realmente precisava mudar, não mudou. Só piorou, passando a agredir os filhos ainda mais", lamenta.

 

Para ela, a mulher que está sofrendo violência não deve ter vergonha de pedir ajuda. "Não acredite em falsas promessas de mudanças. Eles sabem qual nossa dor e sabem como manipular nossos sentimentos para ficar e permanecer no ciclo de violência", destaca.


Conforme dados divulgados recentemente pela assessoria de imprensa da prefeitura, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher - CRAM de Carazinho, já soma 114 atendimentos em 2026. A coordenadora, Daniane Diehl cita que toda a assistência às mulheres que buscam o serviço é sigilosa e envolve acompanhamento totalmente gratuito nas áreas de psicologia, assistência social e orientação jurídica.


O CRAM é parceiro do Ministério Público, Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar, Delegacia de Polícia Civil, secretarias municipais de Saúde e Desenvolvimento Social, CRAS (Centro de Referência de Assistência Social), entre outros órgãos da rede de enfrentamento. Está localizado em sala do 4º andar do Edifício Mont Serrat, na Avenida Pátria, em Carazinho, e o número de telefone de wattsapp disponibilizado para quem precisar é o (54) 9 8408 5504.

Data: 27/08/2026 - 15:39

Fonte: Mara Steffens

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