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Mudanças na legislação exigem profissionalização do transporte rodoviário de cargas, afirma especialista

Foto Mara Steffens/O Correspondente

 

As constantes mudanças na legislação e o aumento da fiscalização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) estão transformando o cenário do transporte rodoviário de cargas no Brasil. O assunto foi debatido durante palestra ministrada pelo advogado Ariel Vanquisher, especialista na área, em evento promovido pelo Sindicar, em parceria com a Unitran, no auditório do Hotel Treville, na noite de quinta-feira (17). 

 

Com o tema "O fim do transporte tradicional", o palestrante explicou que o título foi escolhido de forma proposital para provocar uma reflexão sobre o futuro do setor. Segundo ele, o modelo de gestão baseado na informalidade está deixando de ser viável diante das novas exigências legais. "O transporte da informalidade, do caderninho, sem gestão estratégica, vai desaparecer nos próximos anos. Isso é bom, porque cria oportunidades para quem buscar a profissionalização", afirmou.

 

Durante a palestra, Ariel destacou que mais de 94% dos transportadores registrados na ANTT são autônomos ou possuem pequenas frotas, realidade que torna ainda mais importante a busca por capacitação e organização administrativa. 

 

Outro ponto abordado foi o aumento expressivo da fiscalização. Conforme o especialista, em 2024 foram registradas cerca de 4,6 mil multas aplicadas pela ANTT. Já neste ano, somente até julho, esse número ultrapassou 270 mil autuações.

 

Para ele, esse crescimento demonstra não apenas uma atuação mais intensa da agência, mas também a dificuldade do setor em acompanhar as mudanças na legislação. O transporte rodoviário de cargas não está conseguindo acompanhar a evolução legislativa e a adequação dos sistemas de gestão. Isso pode gerar um passivo financeiro muito grande para as empresas", alertou.

 

Ao falar sobre os pequenos transportadores, Ariel ressaltou que o caminho não é abandonar a atividade, mas mudar a forma de atuar. Segundo ele, modelos de gestão compartilhada e iniciativas que unem pequenos empresários para contratação conjunta de serviços, sistemas e seguros são alternativas para aumentar a competitividade.

 

"Quem continuar trabalhando da mesma forma vai acabar ficando pelo caminho. Mas quem se adaptar encontrará grandes oportunidades de crescimento", destacou.

 

O especialista também reforçou o papel das entidades representativas na defesa dos interesses da categoria. De acordo com ele, foram os sindicatos e associações do setor que participaram das discussões em Brasília e contribuíram para aperfeiçoar o texto da Medida Provisória 343.

 

"Quem participa das entidades consegue ser ouvido e ajudar a construir soluções para o setor. Esse é o caminho para enfrentar os desafios que estão surgindo", concluiu.

 

O evento reuniu empresários, transportadores e profissionais do segmento para discutir os impactos das novas regras e apresentar estratégias para fortalecer o transporte rodoviário de cargas diante das transformações do mercado.

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Data: 17/07/2026 - 21:26

Fonte: Iana Moura

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