GERAL
União estável ganha espaço enquanto casais buscam praticidade e novas formas de compromisso em Carazinho
Foto Gerada com IA
Os dados dos tabelionatos de Carazinho e do Registro Civil das pessoas Naturais de Carazinho mostram uma tendência cada vez mais presente nos relacionamentos: a união estável vem sendo escolhida por muitos casais como forma de formalizar a relação, superando inclusive o número de separações registradas.
No primeiro semestre de 2026, os dois tabelionatos da cidade registraram 101 formalizações de união estável, contra 99 no mesmo período de 2025. Já os divórcios passaram para de 29 para 35 registros, enquanto as dissoluções de união estável tiveram crescimento mais expressivo, passando de 22 para 41 casos.
Para a psicóloga Valéska Walber entrevistada pela reportagem, a busca por relacionamentos formalizados demonstra uma característica natural do ser humano. “O ser humano anseia por vínculos. Desde que nascemos, buscamos nos vincular ás pessoas. Primeiro a família e, ao longo da vida, aos amigos, colegas de trabalho e parceiros. A busca pelo casamento e pela união estável mostra o desejo de estar junto, amar e ser amado”, explica.
Segundo ela, o crescimento da união estável também está relacionado a praticidade e a forma como os casais enxergam os relacionamentos atualmente. “A união estável possui regras mais flexíveis e uma leveza maior quando existe a necessidade de dissolução. O casamento impõe regras mais rígidas e um peso maior para a relação”, afirma.
A psicóloga destaca ainda que fatores como menor custo, menos burocracia e mudanças culturais ajudam a explicar a preferência pela união estável. Na avaliação dela, os casais também têm uma visão mais realista sobre os relacionamentos. “Hoje existe uma compreensão maior de que uma relação não precisa ser mantida a qualquer custo. Quando há crítica, desrespeito ou quando a relação deixa de fazer sentido, a dissolução passa a ser vista como uma possibilidade saudável”, ressalta.
Apesar do aumento dos divórcios e das dissoluções, os números mostram que a busca por construir vínculos continua forte. Os registros de união estável permanecem superiores às separações, indicando que os carazinhenses seguem acreditando nas relações, mas optando por modelos considerados mais práticos e adequados à realidade atual.