POLÍTICA

Após cinco meses parados, veículos novos da secretaria da Saúde começam a rodar

Foto Divulgação

 

Para qualquer empresa que se preze seria impensável adquirir veículos novos e deixá-los quase seis meses parados no pátio, até porque se a compra foi feita, era porque havia necessidade premente...Vou além, quem é que compraria um carro novinho em folha e deixaria estacionado por quase meio ano porque, - ops -, houve um probleminha? O que dizer então quando uma prefeitura, no caso, a de Carazinho, compra cinco veículos e deixa-os estacionados por um problema nítido de falta de planejamento? Estamos falando de dinheiro público literalmente parado pegando poeira...

 

Devidamente plotados

A justificativa da administração é que houve atraso no encaminhamento da licitação do seguro veicular e por cautela, se decidiu evitar colocar os carros para rodar. Cautela, aliás, mais do que bem-vinda, mas foram necessários cinco meses para solucionar um problema tão simples, que é fazer uma licitação para contratar um seguro?...Quem se coloca à disposição para trabalhar junto à uma administração pública deveria conhecer pelo menos o básico sobre fluxos, trâmites e processos burocráticos, ou seja, o planejamento necessário para não emperrar o que deveria andar...Mas sejamos justos: pelo menos na plotagem dos veículos não houve atraso. Parados sim, mas sem plotagem jamais! Ficaram estacionados devidamente plotados com a identificação da secretaria da Saúde...

 

Sem motoristas (?)

O mais grave é que enquanto a burocracia da prefeitura decidia se aditivava uma licitação já existente ou fazia uma nova, pacientes deixaram de ser transportados e serviços deixaram de ser atendidos, até porque repito: só mesmo uma necessidade urgente justifica a compra de cinco veículos de uma só vez...

 

Urgência

...E a urgência está mais do que comprovada, quando sabemos que crianças autistas estão perdendo consultas marcadas há um ano em outros municípios por falta de transporte. Segundo vereadores, o setor de logística da secretaria de saúde afirmou que não possuía veículos nem motoristas para atender estas famílias. Carros, a gente sabe que possuía, mas estavam parados e se não há motoristas para os pacientes, nada justifica a secretária permanecer com um motorista particular...

A propósito I: é esta mesma falta de planejamento que atrasou o encaminhamento das informações sobre as cirurgias eletivas no sistema do ministério da Saúde, o que ocasionou o atraso dos repasses dos recursos federais ao HCC...

 

Prioridades

...A boa notícia é que, segundo a prefeitura, a partir de agora, com os veículos segurados – e plotados -, eles já estão rodando. Mas será que terão motoristas? ...Diante da gravidade, o prefeito João Pedro assegurou que nenhum paciente ficará sem transporte, mesmo que ele tenha que ceder o veículo e o motorista do gabinete. Pena que essa mãe que aguardava há um ano, já perdeu a consulta e terá que esperar sabe-se lá quanto tempo por outra...Uma obra pode atrasar, uma rua até pode ficar com buracos, mas um município que não consegue assegurar a saúde de uma criança está com sérios problemas de inversão de prioridades...

 

Munição

É claro que o problema não passou batido pela oposição, que vamos combinar, não vem tendo muito trabalho para encontrar munição...Na última sessão da Câmara, a expressão “falta de gestão” foi pronunciada dezenas e dezenas de vezes diante do silêncio ensurdecedor dos vereadores da base, que não reagiram nem mesmo quando o vereador Tenente Costa insinuou que o prefeito João Pedro não está “bem da cabeça”. Uma afirmação perniciosa que não foi rebatida por nenhum vereador aliado do governo. Como diz a conhecida frase: “quem cala, consente”...

 

Escalação

Em relação às críticas sobre os veículos novos parados, fonte próxima do governo, afirmou que na mesma hora que a questão veio à tona durante a sessão, os vereadores da Situação foram informados pelo whatsapp que o problema havia sido solucionado, mesmo assim, nenhum deles se dignou a pedir um a parte para repassar esta informação e pelo menos amenizar a crítica. Do que eles têm medo? Ou será que ficaram com vergonha em função do tempo que se levou para encontrar uma solução? ...Definitivamente, o prefeito tem que rever a sua escalação: está sem atacante, meio campo, e principalmente, zagueiro...Com um time assim, fica difícil ganhar um jogo, imagine então um campeonato...

A propósito II: se está difícil ganhar o jogo no campo, o negócio vai ser ir para o tapetão. A partir de agora, vídeos da oposição nas redes sociais, contendo, o que segundo a gestão, são mentiras, serão rebatidos na justiça. Comprovada a “fake news”, perfis podem até ser derrubados...

 

Consenso

Mas pelo menos, em uma coisa parece haver consenso entre vereadores da oposição e da situação: o investimento no banheiro da Praça Albino Hillebrand. Apesar do alerta de que se não houver vigilância, tudo pode ser depredado em pouco tempo, nenhum vereador se mostrou contrário ao investimento de R$270 mil no novo banheiro. Ufa...

 

Impasse

Nesta sexta-feira, município e direção do HCC estarão reunidos em Porto Alegre, para uma audiência junto ao Mediar do MP-RS. A pauta é o valor do repasse dos aditivos da Prefeitura para o Hospital visando cobrir o déficit que chega a cerca de R$1 milhão por mês. A princípio, a administração teria condicionado os repasses extras a uma auditoria nas contas do HCC, o que segundo o procurador jurídico do município, Anderson Montai, não teria o objetivo de fiscalização, mas sim apenas de entender a composição de custo dos atendimentos da instituição para justificar os aditivos sem o risco de apontamentos pelo Tribunal de Contas. Porém, diante do tamanho do déficit, esta opção não é bem aceita pela direção, já que demandaria tempo e o equilíbrio financeiro é urgente. De qualquer forma, uma solução tem que ser encontrada...

 

UPA

Ainda falando em saúde, a administração esclareceu que o valor de R$ 9,9 milhões que consta no novo edital da UPA se refere a 67 mil atendimentos ao ano, o que equivale ao custo de R$146,00 por atendimento. A última licitação realizada mais uma vez acabou sem resultado, já que as empresas que se habilitaram não apresentaram todas as documentações. Aliás, a atual empresa que hoje está à frente da administração da UPA não participou de nenhuma licitação do novo edital. Por que será?