ECONOMIA
Representantes de entidades de classe opinam sobre fim da jornada 6x1 que está em debate no Brasil
Foto Divulgação
A proposta de redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1 continua gerando discussões entre representantes dos trabalhadores e do setor empresarial. Enquanto sindicatos defendem a medida como forma de melhorar a qualidade de vida dos profissionais, entidades empresariais alertam para possíveis impactos econômicos. O Correspondente ouviu alguns representantes locais.
O presidente da Associação Comercial e Indistrual de Carazinho - ACIC, Josué Prestes, destaca que a redução da jornada de trabalho deve vir acompanhada de ações que aumentem a produtividade e reduzam os custos das empresas. Segundo ele, a medida pode gerar impacto financeiro ao setor empresarial, tornando necessário discutir também a diminuição dos encargos trabalhistas e alternativas que garantam equilíbrio entre trabalhadores, empresas e governo.
Já o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Carazinho e Região - Sindicar, Moisés Santos, avalia que a redução da jornada sem diminuição salarial pode aumentar os custos das empresas e refletir no preço dos produtos e serviços. Para ele, a necessidade de novas contratações poderá gerar despesas que tendem a ser repassadas ao consumidor final.
Em defesa da proposta, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgoto do Estado do Rio Grande do Sul - Sindiágua, Natalino da Silva, afirma que o fim da escala 6x1 proporcionará mais tempo para a convivência familiar, descanso e qualidade de vida. Ele acredita que trabalhadores mais descansados tendem a apresentar melhor desempenho e produtividade.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Paulo Silva, também apoia a mudança. Segundo ele, a redução da jornada pode beneficiar trabalhadores e empresas, com profissionais mais motivados e produtivos, além de representar uma adaptação ás transformações sócias e tecnológicas do mercado de trabalho.
O tema segue em debate no Congresso Nacional e ainda deverá passar por novas etapas de análise antes de uma eventual alteração na legislação trabalhista brasileira.
Entenda mais pontos da PEC pelo fim da escala 6x1:
.- Jornada de trabalho não deverá ser superior a oito horas diárias e 40 horas semanais, podendo haver compensação e redução de jornada mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho.
- Lei ordinária irá tratar da jornada e descanso de regimes diferenciados, como trabalhadores com seis horas diárias de trabalho.
- Nova regra não se aplica: a quem tem jornada igual ou inferior a 40 horas semanais, a empregados com nível superior e com remuneração mensal igual ou superior a R$ 8.475,55 (equivalente a duas vezes e meia o limite máximo dos benefícios do INSS)
- Lei complementar poderá adotar medidas de transição para os microempreendedores individuais, as microempresas e as empresas de pequeno porte.