POLÍCIA
Justiça condena casal por esquema de pirâmide que lesou dezenas de vítimas em Carazinho
Foto Arquivo
A 2ª Vara Criminal de Carazinho condenou o homem de 35 anos, a companheira de 48, por crimes de fraude envolvendo ativos virtuais, lavagem de dinheiro e associação criminosa, após a operação policial que revelou um esquema de pirâmide responsável por prejuízos superiores a R$ 10 milhões, em agosto deste ano, em Carazinho.
Um irmão dele, de 26 anos, também denunciado, foi absolvido.
A ação foi proposta pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, autor da denúncia.
A Assistência de Acusação representou as vítimas.
Os réus foram representados por suas defesas técnicas ao longo da instrução processual.
O caso
De acordo com a sentença, entre 2020 e fevereiro de 2025 o grupo operou, por meio de uma empresa de soluções financeiras, um sistema fraudulento de captação de investimentos com promessa de rendimentos mensais entre 5% e 30%. As vítimas acompanhavam supostos lucros por meio de aplicativo e relatórios falsos. A investigação constatou que as operações eram simuladas e que não havia investimentos reais no mercado financeiro.
A polícia estima que são mais de 1000 vítimas, além de movimentações milionárias entre contas pessoais e empresariais dos acusados. O réu de 35 anos, que está preso desde que o caso veio à tona, foi caracterizado como líder do esquema, enquanto a companheira atuava na divulgação, captação e ocultação de valores.
Condenações
O juiz responsável reconheceu a materialidade e autoria dos crimes imputados, absolveu o irmão do réu, mas condenou os outros dois acusados, condenados pelos crimes estelionato com a utilização de ativos virtuais, valores mobiliários ou ativos financeiros em continuidade delitiva (Art. 171-A c/c Art. 71, CP), e lavagem de capitais em continuidade delitiva (Art. 1º, caput e § 4º da Lei nº 9.613/98).
Ele foi condenado por 17 anos e 09 meses de reclusão e ela por 05 anos, 10 meses e 15 dias de reclusão.
Também foi determinado o perdimento de bens vinculados ao esquema, incluindo veículos, imóveis, cartas de crédito e valores apreendidos, além da fixação de valor mínimo de reparação, em favor das vítimas, no montante de R$ 10 milhões.
A decisão destaca que o esquema se estruturou com alto grau de organização, uso de publicidade enganosa, patrocínio de eventos e manipulação de dados financeiros, resultando em expressivo dano coletivo.
Várias vítimas já ingressaram na justiça com pedidos indenizatórios, os quais estão em andamento em diversas Comarcas, mas em maior quantidade na Comarca de Carazinho.
A decisão sabe recurso e O Correspondente está buscando localizar o Ministério Público, a Assistente de Acusação e as defesas dos envolvidos para pronunciamento.