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Tribunal do Júri em Carazinho condena três homens por envolvimento em homicídio a penas que somam 71 anos
Foto Arquivo/O Correspondente
Nesta terça-feira (4), o Tribunal do Júri da Comarca de Carazinho condenou três homens envolvidos em um homicídio ocorrido no final de 2023, resultado direto de uma violenta disputa entre grupos criminosos pelo controle do tráfico de drogas no município. A investigação, conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) de Carazinho, resultou na identificação e prisão dos responsáveis pelo crime, culminando agora na condenação de todos os envolvidos.
A sentença representa um marco importante para a segurança pública local. Um dos acusados, que prestou auxílio material no homicídio, foi condenado a 13 anos de prisão; o segundo, apontado como autor dos disparos, a 30 anos; e o terceiro, indicado pelas investigações como líder de uma facção criminosa e mandante do crime, foi sentenciado a 28 anos de reclusão.
Homicídio foi resultado de guerra entre facções
O crime remonta ao segundo semestre de 2023, quando um dos líderes de um grupo rival à facção criminosa com atuação em Carazinho foi alvejado na saída de uma boate localizada na Avenida Flores da Cunha. A vítima, que, juntamente com seu irmão (recentemente morto em Santa Catarina), afrontava a dominância da facção criminosa atuante em Carazinho, resistiu por alguns dias hospitalizado, mas não sobreviveu aos ferimentos.
A DRACO de Carazinho, sob o comando do delegado Leandro Antunes, foi a responsável pela investigação, considerada de alta complexidade diante da periculosidade dos envolvidos e da estrutura organizada do grupo criminoso. Ainda assim, durante o inquérito policial, a equipe conseguiu reunir provas robustas que apontaram a atuação direta dos três condenados, não apenas na execução, mas também no planejamento e na motivação do crime.
Operação Regresso: resposta rápida e eficaz da DRACO
A operação que resultou na prisão dos criminosos foi batizada de Operação Regresso. Deflagrada em janeiro de 2024, contou com o apoio de diversas delegacias da 28ª DPRI, da DRACO de Passo Fundo, da Delegacia de Capturas do DEIC, da Brigada Militar e da Polícia Militar de Santa Catarina.
Durante a ofensiva, foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos bairros Princesa e Sassi, em Carazinho, além de diligências em um sítio na região metropolitana. No decorrer da investigação e da operação, foram apreendidas armas de fogo e munições, além de ter sido apurada a atuação do grupo em outros crimes graves, como extorsões, roubos e disparos de arma de fogo contra desafetos.
Investigação que fortalece o combate ao crime organizado
Após o encerramento da investigação, houve a firme atuação do Ministério Público no decorrer do processo judicial, o que, aliado à apuração precisa dos fatos e à elucidação da complexa trama que culminou no homicídio, levou à condenação dos envolvidos.
Além disso, o trabalho desenvolvido desarticulou uma parte significativa da estrutura criminosa que vinha atuando no município nos últimos anos. Em mais de seis anos de conflito entre grupos rivais, dezenas de homicídios ocorreram em Carazinho em decorrência da disputa pelo controle do tráfico de drogas. O caso julgado hoje se destaca por simbolizar um avanço relevante na repressão a esse ciclo de violência.
Com as penas impostas aos três integrantes do grupo, a Justiça reconheceu a gravidade da conduta e a importância da atuação coordenada dos órgãos do Estado na persecução penal, o que gerou um enfraquecimento direto da facção criminosa envolvida.
O trabalho desenvolvido reafirma o compromisso da Polícia Civil e dos demais órgãos com a segurança da população e o enfrentamento contínuo à criminalidade organizada.