EDUCAÇÃO
DIA DO PROFESSOR: data comemorativa também remete à reflexões sobre a carreira
Foto Divulgação
Hoje (15) é data para celebrar o profissional que forma todos os demais, o professor. Além de comemorar, a passagem da data também leva à reflexão, afinal, garantir que os docentes tenham as condições ideais para desenvolver suas atividades e ajudar a garantir uma sociedade desenvolvida deve ser preocupação de todos.
Em 2024, duas pesquisas realizadas no Brasil chamaram atenção. Os professores são os profissionais em que os brasileiros mais confiram, segundo a Ipsos Global Trustworthiness Index 2024. Depois aparecem médicos e cientistas. Por outro lado, oito em cada dez docentes da educação básica já pensaram em desistir da carreira. O dado é da pesquisa inédita Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, do Instituto Semesp.

Para citar dados mais recentes, no início deste mês, a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem, divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostrou que os professores brasileiros gastam 21% do tempo em sala de aula para manter a ordem. O dado é bem superior a média mundial, que é de 16%.
A pesquisa também examina o nível de satisfação dos professores em alguns parâmetros, como intenções de carreira, motivação e status da profissão. Apenas 14% dos professores brasileiros pensam que são valorizados na sociedade.
Recentemente, O Correspondente entrevistou a secretária de Educação de Carazinho, Elisabete Medeiros, e o coordenador regional de Educação, Marcelo Fernando Kolling, e abordou alguns temas relacionados à carreira do magistério.
"Temos o acolhimento como principal meta. Estamos visitando as escolas da 39ª CRE pois a melhor forma é estar ao lado dos professores, ouví-los em suas angústias, mas ao mesmo tempo levar a esperança.O professor não pode deixar apagar a chama, pois ele tem sua importância. Claro que não podemos olhar apenas como missão, precisa ter valorização, condições de trabalho. A sociedade precisa enxergar que o professor precisa deste reconhecimento pelo papel que ele exerce. A dificuldade que temos hoje é neste sentido. Nossa mensagem é que sem o professor não conseguimos fazer nada, nós enxergamos esta importância", colocou.
Kolling destacou que na pandemia o celular foi aliada, mas a sociedade refletiu e se proibiu o uso na escola, sem ser para atividade específica. "Então o professor não disputa mais a atenção com a tecnologia, mas agora o segundo desafio a ser superado é o resgate do respeito e a autoridade em sala de aula", apontou.
Ainda sobre a influência do celular nas escolas, diante da proibição que passou a valer este ano, o coordenador contou que cada escola adotou estratégias para atender a esta medida e que os efeitos foram muito positivos. "Foi preciso adaptação para retomar a socialização: jogos, espaços de convivência, enfim. Muitos diretores usaram valores repassados pelo Governo ainda no ano passado para proporcionar algumas atividades neste sentido", informou.
Análise de plano de carreira
A secretaria de Educação e Cultura, de acordo com a gestora Elisabete Medeiros, vem se reunindo com a Associação dos Professores de Carazinho - Aprocar, para discutir o plano de carreira do magistério municipal. "Temos uma abertura muito grande com eles. Estamos tentanto resgatar o plano de carreira que foi massacrado. Os professores perdem muito nos últimos anos, então não podemos falar somente de saúde mental. Sabemos que é uma profissão diferente. Não basta apenas querer ser professor, você precisa ser o dom, querer se doar pelas pessoas e trabalhar na formação de pessoas é muito difícil. Por isso a questão financeira é muito importante", comentou.
Elisabete também comentou sobre o desinteresse das pessoas pela carreira do magistério. "Precisamos unir família e escola. O professor às vezes se sente acuado, sendo cobrando por coisas que não são de sua alçada. O professor forma todos os demais profissionais, mas isto precisa acontecer na prática. Não pode ser somente discurso. Educação é prioridade mesmo? Não sabe apenas somente a escola, mas a toda comunidade. Reclamem quanto tem que reclamar, mas elogiem também. Isso é importante. Só vamos recuperar a educação quando as famílias entenderem que elas também tem papel nisso. Por isso, temos que trabalhar juntos. Assim vamos trazer novamente gente para a educação", refletiu.