POLÍTICA
Disputa pelo cargo de vice em 2028 já inflama "fogueira das vaidades" na cúpula do Governo
Foto Divulgação
A próxima eleição municipal é só em 2028, antes dela ainda temos uma eleição geral no ano que vem, mesmo assim, as movimentações e especulações já começaram, em especial junto a quem está no poder... Com o impedimento legal da atual vice-prefeita Valeska Walber concorrer mais uma vez à reeleição, a disputa é por quem vai formar a próxima dobradinha com o prefeito João Pedro...Paralelamente às especulações, a “fogueira das vaidades” começa a se inflamar diante dos nomes que aparecem como “preferidos do rei”...
Protagonismo perdido
...Um dos nomes que desde que as urnas de 2024 foram fechadas, aparecia como uma possibilidade de vice em 2028, era do vereador Bruno Berté, repetindo uma dobradinha já conhecida do PSDB (ou PSD) com o PDT...Mas tudo vai depender do desempenho de Berté no ano que vem, quando deve concorrer a uma cadeira na Assembleia Legislativa. Aliás, o desempenho da deputada Juliana Brizola nas pesquisas para o governo do Estado tem animado os pedetistas locais que finalmente poderão recuperar o protagonismo perdido...
Apostas
Outro nome ventilado é o do secretário de Agricultura, Anselmo “Gauchinho” Britzke, do União Brasil, que vem ganhando protagonismo no governo e ao que tudo indica “caiu nas graças do prefeito”. Porém, o nome que mais aparece nas bolsas de apostas é da vereadora Juliani Pinzon, que apesar de não ter sido a candidata com mais votos do PSDB em 2024, foi escolhida líder do governo na Câmara, e conta com a amizade e confiança de JP. Assim, também, ele repetiria a fórmula que deu certo nas últimas eleições, de ter uma mulher como vice. Por outro lado, isso significaria uma chapa puro sangue tucana, o que pode representar uma aposta arriscada. O governo tem que ter ido muito bem para João Pedro poder descartar uma aliança na majoritária em 2028...
Candidatáveis
Assim como para a majoritária, já sobram especulações sobre os nomes do governo que aparecem como fortes candidatos ao legislativo em 2028, como Anthony Johan e Bruna Anacleto, ambos da cúpula da administração, sem esquecer, é claro, do secretário de Obras, Robson Schallenberg. Aliás, o desafio do atual governo será garantir a maioria em 2028, para não precisar mais uma vez compor com quem era oposição ferrenha, como aconteceu com o PSB...Mas até lá tem muita água para rolar...
Insatisfação
Enquanto a eleição de 2028 não chega, o atual governo vem enfrentando o que na política se conhece como “fogo amigo”... Até que ponto são reclamações legítimas, não se sabe, mas há um clima de insatisfação pairando no ar junto aos CCs. O que começou com casos pontuais, em especial, na saúde, vem se espalhando para outros setores, e bombeiros estão tendo que entrar em ação...São críticas que vão desde que o prefeito estaria inacessível e “blindado” até cobranças de promessas feitas na campanha e não cumpridas. Em parte, isso faz parte do jogo, mas quando começa a se generalizar, passa a ser um problema político...
Firmeza ou teimosia?
Ao contrário de prefeitos anteriores, que já no primeiro ano de governo, implementaram mudanças no primeiro escalão, João Pedro demonstra resistir, - pelo menos por enquanto, - a qualquer dança de cadeiras...E não faltam apelos para que ele corte cabeças colocadas à prêmio...Se nada acontecer até o final deste ano, será um dos primeiros prefeitos da história recente a terminar o primeiro ano de governo com a mesma equipe que começou...O que alguns chamam de firmeza, outros chamam de teimosia...
Gian na CRE
Falando em CCs, depois de ser nomeado, quase ter assumido, e depois exonerado de um cargo na secretaria da Saúde, Gian Pedroso (PSD) finalmente será compensado pela sua lealdade e atuação na campanha de João Pedro. Porém, não assumirá junto à gestão municipal, mas sim, junto à Coordenadoria Regional de Educação. Segundo o coordenador Marcelo Kolling, ele já foi nomeado como novo chefe administrativo, já que o cargo está vago desde que Lucas Lopes foi transferido para a Casa Civil em Porto Alegre. Esta coluna entrou em contato com Gian, que afirmou ainda estar pensando se assume ou não, em função de outras oportunidades profissionais que surgiram, mas disse que está mais para o “sim” do que para o “não”...Ele tem até o dia 1º de outubro para assumir o cargo, que além do setor administrativo, inclui também o setor financeiro da coordenadoria.
Fuxico (?)
Sobre a última sessão da Câmara, a fala do vereador Márcio Guarapa (MDB) foi no mínimo enigmática...Primeiro ele criticou a secretária de Saúde, Carmen Santos, por fazer muitas reuniões, depois a criticou por falta de diálogo...Ao mesmo tempo, lançou no ar a informação de que um médico de algum ESF do interior teria pedido demissão por falta de pagamento, mas em seguida disse que não tinha certeza e que poderia ser “fuxico”. Ora, um vereador não sobe à tribuna da Câmara para falar do que pode ser um “fuxico”. Deve se informar e ter certeza antes de falar... E para encerrar, deixou outra frase pairando no ar: “os forasteiros irão cair”...Será que foi uma ameaça? Quem são os forasteiros? O secretário de Desenvolvimento? A secretária de Saúde? A primeira-dama?
Teflon na blindagem I
Como não poderia deixar de ser, a vergonhosa PEC da Blindagem acabou ganhando repercussão na última sessão da Câmara de Vereadores. A vereadora Juliani Pinzon (PSDB) falou da sua indignação com os deputados carazinhenses – Ronaldo Nogueira (Republicanos) e Márcio Biolchi (MDB) – que votaram favoráveis à PEC, e foi seguida pelos vereadores Bruno Berté (PDT) e Valdoir Lima (PSDB). Apesar dos pronunciamentos indignados, os vereadores do PP e MDB, cujos parlamentares votaram quase que de forma unânime à favor da proposta, não entraram em defesa dos seus representantes. Nessa hora, vale tudo em nome do “efeito teflon”...
Teflon na blindagem II
Um exemplo é o vereador Márcio Guarapa(MDB), um dos principais cabos eleitorais do deputado Márcio Biolchi em Carazinho. Ao ocupar o plenário após a vereadora Juliani, ele preferiu falar da beleza do desfile de 20 de setembro, mas esqueceu de dizer, que se tratando de corporativismo e impunidade, que as façanhas de nossos políticos não sirvam de modelo à toda terra. Inclusive, não serviram ao Senado, que acabou derrubando à PEC, depois das manifestações nas ruas no último final de semana.
Perseguição (?)
...Não é novidade, mas vale reforçar que os deputados são servidores públicos, muito bem pagos com o dinheiro dos impostos, para trabalhar para a população. Segundo pesquisa, o Brasil tem a Câmara dos Deputados mais cara entre 97 países. É inadmissível que se considerem intocáveis e acima da lei... E não tem justificativa como, por exemplo, uma suposta perseguição do judiciário aos políticos, para amenizar tamanho absurdo, que se entrasse em vigor, iria garantir impunidade a tantos outros crimes cometidos pelos intocáveis...
Incoerências
Votar pela blindagem em nome de frear “abusos do judiciário” é como querer curar a doença, matando o paciente... Lamentável que o deputado Márcio Biolchi encerre sua vida pública se posicionando em desacordo à toda sua trajetória política, pautada sempre pelo bom-senso e coerência... Da mesma forma, é incompreensível que Ronaldo Nogueira, por ser um parlamentar que defende a paz na política, confunda pacificação com corporativismo. Como político que defende a família acima de tudo, como será que ele iria se sentir, ao ver um colega que cometeu violência familiar, ser poupado da investigação e punição pelos seus pares? Ou como será que ele iria se sentir vendo líderes do PCC se elegerem só para ficarem acima da lei?
Data: 26/09/2025 - 07:42
Colunista: Nadja HartmannFonte: Nadja Hartmann